domingo, 23 de maio de 2010

Instituto Tomie Ohtake (Camila)

O Instituto Tomie Ohtake está em um prédio bastante imponente na parte baixa de pinheiros bem perto do largo da batata, num local de relativa facilidade de acesso (pelo menos em termos de transporte). É um prédio um tanto quanto estranho na paisagem, o que talvez confira um certo distanciamento entre as pessoas que circulam na região e a própria instituição.

Com relação à visita em si e ao educativo, o acolhimento foi numa das salas do educativo onde as duas educadoras se apresentaram, a Julia e a Helenira (não tenho certeza se é esse mesmo o nome, eu sou meio surda então sabe como é...) e com a ajuda de um Power Point apresentaram a instituição e os programas desenvolvidos.

O Instituto Tomie Ohtake foi inaugurado em 2001 como uma instituição de arte contemporânea que recebe e produz exposições temporárias (alias, o instituto não tem um acervo, e por esse motivo não configura como museu) de acesso gratuito.
Os projetos de ação educativa estão primeiramente divididos em projetos especiais e projetos permanentes; também são produzidas publicações e seminários. A maioria dos projetos educacionais permanentes visam a formação de educadores através da vivencia com a arte.

Nesse acolhimento não foram dadas regras para a visitação, ou nenhum outro tipo de acordo (acho que elas partiram do principio que nós já sabíamos as “regras de comportamento” em exposições). Daí partimos para as duas exposições que estavam disponíveis: a “Ostengruppe, cartazes russos contemporâneos”. A educadora que ficou com o nosso grupo, a Helenira, primeiramente deixou o grupo livre para olhar e depois reuniu todos para a discussão, que passou pela temática do design, dos grafismos, e principalmente numa comparação com os cartazes brasileiros relativos a exposições culturais (como os da exposição). Para a discussão dos trabalhos a educadora escolheu dois cartazes em cada sala, e o grupo partiu deles para o debate. A educadora parecia ter bastante conhecimento com relação à exposição mas acho que ela deu bastante liberdade para os debates e respondia as perguntas acrescentando algumas informações que não estavam dadas.

Fomos então para a expo “Visionaire para todos os sentidos” na qual estavam presentes os 50 primeiros números dessa revista americana que tratava principalmente de estética. Nessa exposição não houve nenhuma interferência da educadora (eu pelo menos não peguei nenhuma) e todos ficaram livres para ver sozinhos ou em grupo. Quando saímos dessa expo fizemos uma reunião no hall perto das salas do educacional. O grupo debateu sobre o caráter fetichista da exposição, alguns tomaram a revista como vazia de um conteúdo para além da exploração da estética, o que invalidaria ou não a revista, e a conversa no geral se desenrolou em torno dessas questões.

Depois de tudo isso tivemos uma atividade de atelier relacionada com a expo da Visionaire, na qual o grupo se dividiu em três e foram sorteadas três palavras para basearmos nossas produções: Luz, Ácido e Fama. Essa foi a única interferência da educadora que deixou todos livres para trabalhar. Ao que todos terminaram cada um explicou o seu trabalho. Isso foi uma espécie de fechamento, onde no final a educadora explicou a importância do atelier como um espaço de desenvolvimento da criatividade aflorada pelas exposições e uma oportunidade de contato com a produção artística e suas implicações. No geral eu achei a visita muito boa, a educadora sempre esteve como facilitadora dos debates e levantou novas questões para o grupo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paço das Artes / Mac (Nina)

Quarta-feira chuvosa e o grupo oito transporta-se à longínqua USP para podermos conhecer o Paço das Artes e posteriormente o MAC.

O Paço das Artes encontra-se em uma das ruas principais da Cidade Universitária, logo após o Portão 1, o que de certa forma é um facilitador já que a maioria dos ônibus entram por esse portão e já que uma vez lá dentro fica fácil localizá-lo. Isso não muda a dificuldade de chegar na Cidade Universitária em si, o local é afastado do centro da cidade, sem nenhum metrô nas proximidades, tornando-se um desafio alcançá-la em horários de trânsito intenso.
Como comentado em grupo, a fachada do Paço é escura e pouco convidativa, principalmente por encontrar-se ao lado de construções abandonadas. O local é um tanto morto, não só pela aparência, mas também por ser um local com pouca circulação de pedestres. A instituição não tem vínculos com a USP, e acredito que sua posição física na Cidade Universitária demonstra também essa segregação.

O educador que acompanhou nosso grupo chamava-se Tiago Santinho. Guardamos nossas bolsas em uma sala e ele nos chamou a sentar para que pudéssemos conversar. Primeiramente ele perguntou nossas áreas de estudo para que pudesse ter uma noção do grupo, depois perguntou quem já conhecia o Paço das Artes.

A instituição Paço das Artes encontrava-se inicialmente na Av. Paulista, depois foi para o MIS, onde passou 20 anos. Ambos possuem a mesma administração, apesar de terem propostas bem diferentes. De qualquer maneira, mesmo o Paço estando já há 15 anos na USP, ainda haveria uma confusão da parte do público, entre as duas instituições.

Tiago frisou a importância do acolhimento, no qual o educador deve situar o visitante, já que nem todo espaço cultural é um museu.

Ele afirmou haver semelhanças e até mesmo um diálogo, entre o trabalho realizado no Paço e a Bienal de Artes, e que tentaria abordar esses aspectos.
O educativo do Paço foi recentemente reformado. Uma das modificações é que agora os educadores são contratados, o que melhora a qualidade do trabalho. Os funcionários criam vínculos com a instituição e passam a ver os resultados do seu trabalho, que deixa de ser algo isolado e passageiro. Principalmente no Paço das Artes, dada a dificuldade de acesso e o caráter específico das exposições, que tratarei a seguir, o educativo tem papel fundamental, segundo Tiago, até mesmo de justificar a razão de ser do espaço. Visitamos dois espaços do educativo: o Cubo Branco, usado normalmente para o acolhimento, principalmente com crianças e adolescentes, o espaço tem paredes brancas, pufes e lousas, onde os visitantes teriam um momento só para eles, para relaxar, desenhar ou escrever na lousa; o outro espaço é uma sala com um telão e uma câmera de vídeo, onde os visitantes teriam um momento de interagir e de realizar ali suas próprias produções.

Tiago afirmou que busca em suas visitas uma mediação mais horizontal e menos burocrática. Ou seja, não só evita fazer uso de conceitos e categorias na mediação, como evita fazer uso da própria palavra ‘arte’, que segundo ele já traria uma carga muito grande consigo. O processo de formação deve ser metalingüístico, evocando também o repertório do próprio visitante. Suas visitas não têm roteiro, ele utiliza o primeiro contato com o grupo para senti-lo, e ver o que melhor se adequa a ele: a linguagem a ser usada, as salas a serem ocupadas, atividades a serem realizadas, entre outros. Nesse sentido haveria uma liberdade e até mesmo um incentivo da parte dos coordenadores do educativo que acreditam na idéia do educador também como um artista.

O Paço das Artes foi definido como um espaço para experimentação, uma plataforma para novos artistas. Além de um espaço expositivo, seria um espaço de discussão, já que não se volta a artistas já consagrados. A “coluna vertebral” da casa é a Temporada de Projetos, quando qualquer pessoa pode mandar seu projeto, que será submetido a uma banca avaliadora, podendo vir a ser exposto ou não. Os artistas selecionados, além de auxílio financeiro, recebem acompanhamento durante um ano, dão palestras, entrevistas e têm seus trabalhos divulgados através de publicações bilíngües. Além disso, o artista pode escolher um crítico para avaliar suas obras, o que consiste numa busca por sair de um circuito fechado e muitas vezes viciado. O espaço recebe também projetos de curadores, que quando aceitos realizam a curadoria de exposições no Paço.

No referente às obras, começamos pelo lado de fora vendo o jardim montado com zíperes por Zamproni, discutiu-se a questão da naturalização do espaço e como o educador deve proceder no sentido de evitar que as pessoas toquem ou danifiquem as obras visitadas. Já do lado de dentro, vimos uma instalação com vídeo de Rick Castro, onde as pessoas teriam a oportunidade de “abravanar”. Os outros artistas expostos eram Nino Cais, Bianca Tomazelli, Gisele Camargo, Ana Holk, e Maria Laet, pelos quais passamos mais rapidamente. Poucas explicações foram dadas e no final houve um espaço para questões gerais.

Já no Museu de Arte Contemporânea, também na Cidade Universitária, mas em região bem mais central, o que dificulta um pouco o acesso, mas mostra a ligação e envolvimento da instituição com a Universidade, fomos recebidos pela educadora Silvia, que logo nos levou a um auditório para assistirmos a uma apresentação em Power Point sobre o MAC.

A apresentação abordava sobretudo os programas educacionais oferecidos pelo MAC e organizados pela DTCEA (Divisão Técnico-Científica em Educação e Arte), por ter sido passada muito rapidamente, pouco foi apreendido sobre seu conteúdo. Colocarei somente o nome dos programas que consegui anotar: Encontros Contemporâneos, Inter-arte, Encontro com crianças, Encontro com terceira idade, MEL (Museu, Educação e Lúdico), Poéticas visuais em interação e Viva arte!.

Com o final da apresentação, Silvia falou da importância de nós, possíveis futuros educadores da Bienal, conhecermos a arte moderna. Sim, apesar de chamar-se Museu de Arte Contemporânea, o acervo do MAC constitui-se primordialmente de obras modernas, inclusive muitas obras de destaque internacional que chegaram até ali por meio da própria Bienal de Artes de São Paulo. Segundo Silvia, a arte moderna é essencial para que possamos compreender a arte contemporânea, já que a última teria se apropriado de certa forma do discurso da primeira. Os anos 60, momento da contra-cultura, seria também o momento do experimentalismo, não haveria mais suporte pré-determinado para as obras, um material específico.

Fomos levados então à exposição Entre Atos 1964/68, que nos mostraria justamente essa arte moderna produzida na época da ditadura e com forte conotação política. Antes de começar a visita, Silvia nos falou rapidamente sobre a necessidade do educativo possuir um discurso que se adeque e sensibilize o público. Este deveria ter no museu um momento de recolhimento e calmaria. O educador deve saber quando falar, de acordo com Silvia. Após esse momento, ela nos conduziu a algumas obras e as interpretou para nós, dando explicações que julgava pertinentes. Ao final da visita um debate foi levantado sobre a ligação da arte com o mercado econômico, e as possíveis conseqüências dessa ligação, como uma crescente elitização da arte.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Andy Warhol II (André)

Quando fomos pela segunda vez à Estação Pinacoteca para ver a exposição de Andy Warhol, chamada de "Andy Warhol: Mr. América", nós tivemos maior liberdade para abstrair e usufruir do material que estava sendo exposto, graças ao maior período de tempo que nos foi dado para olhar os trabalhos. Apesar de não estarmos acompanhados de um educador, a visita me pareceu bem produtiva e reflexiva para todo o grupo.

A divisão das obras nos espaços acompanhava alguma lógica de temas. Havia o espaço que falava sobre a morte, com as obras "Little Eletric Chair" (Cadeiras Elétricas) e "Suicide" (Suicídio), além da área que tratava o socialismo, que aparentemente teve uma intervenção talvez arriscada da curadoria da Pinacoteca (porém me pareceu funcionar), com a inserção da obra "Cow Wallpaper" (Papel de Parede de Vaca) nessa área. Havia também uma obra específica que eu gostaria de destacar que era "Silver Clouds" (Nuvens de Prata), que era uma das obras mais experimentais de Andy, além de " Cow Wallpaper", e, na minha visão, não tinha funcionado muito bem, talvez pela disposição do espaço ou pelo posicionamento dos ventiladores, pois tive a impressão que os balões que representavam as nuvens pareciam não se movimentar pelo espaço como deveriam.

Quando começamos a analizar as obras de forma mais pormenorizada, percebi que foi aí iniciada uma discussão entre o grupo muito voltada para questões como: se Warhol pretendia fazer uma crítica séria à sociedade norte-americana, com os discursos inseridos em suas obras sobre o poder da imagem, o apelo da propaganda de criar o ideal de personalidade e o desgaste que existe no uso dessas imagens, ou se era uma simples caricaturização da cultura norte-americana com suas cores berrantes e chamativas ou, ainda, se o que ele fazia com as suas obras era propositalmente contraditório e irônico (incluindo aí o tratamanto que Andy dá para o socialismo, que dá a impressão de similitude com o capitalismo norte-americano com relação à imagem e a sua repetição), além de suas respostas (ou pseudo-respostas) com relação a essas constantes dúvidas que surgiram e eram debatidas já na época em que Andy ainda era vivo.
Minha impressão final foi que toda essa contrariedade sentida nas obras de Andy Warhol, tanto com relação às suas intenções quanto às respostas dele às dúvidas que as pessoas tinham, revelavam talvez que suas obras se utilizavam e muito de metáforas nietzianas e que tudo isso era uma provocação proposital.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Encontro teórico 3 (Jean)

Esse é um texto com impressões/reflexões/questões de um dos encontros do grupo oito. Início da manhã: depoimentos sobre o encontro anterior. Relatos sobre a gratificante experiência de ver e discutir aspectos da história de algo que comumente chamamos “arte”. Pensa-se, então, que nos aproximamos de uma compreensão maior sobre o que esse algo possa ser. Contudo, alguns se questionam: - Mas tudo o que um artista faz é arte? Nos seria interessante perguntar também por quem faz o artista? Não pode ser ele e seus trabalhos uma construção de um dado contexto histórico? Para pensar atualmente em arte não valeria pensar em mundo da arte? Uma recorrência que notamos: discutimos insistentemente trabalhos sob o signo da arte – muita vez vendo-a como algo autônomo. De um paralelo com a utilidade da ciência, uma aporia: - Para que serve a arte?

Tem início uma discussão sobre como fazer nosso percurso do dia seguinte, na Pinacoteca, pelo Andy Warhol. Improviso? Espontaneidade? Organicidade? Script? – Decidir na hora o que se deve abordar dá merda! Então seria necessário algo como um roteiro de segurança, esboçando nele propostas e temas a abordar com possíveis visitantes? Tocar então nos temas/motivos/assuntos/referentes de tal figuração; na reprodutibilidade do trabalho e da imagem, na divisão da feitura de um trabalho (na factory); na auto-referência da “arte”; - na necessidade de não descolar técnica e assunto/poética; em como fazer tal abordagem com crianças – do que falar com elas? Como falar? Adequando conteúdo e linguagem? Isso, simplesmente? E se a fruição/conversa partisse de uma descrição da imagem e das relações entre cores e formas, algo que nos aproximaria paulatinamente – iria dizer organicamente - de questões que nos tocam mais o interesse, mas que talvez não importe de nada aos pequenos visitantes? Começar a visita com as “Marilyns” não poderia ser um obstáculo para um visitante mais jovem, posto que teria que saber/imaginar/lembrar quem ela seja? Isso não o distanciaria da obra para buscar algo na história, na “cultura” – algo que possivelmente devesse ser dito por nós? Verticalidade? E se ao invés, antes de começar por essa espécie de paradigma da indústria cultural/cultura de massas, começássemos por algo, digamos, mais neutro, como pelas vaquinhas que forram toda uma sala? Enquanto postura – falar ou não de uma proposição crítica do trabalho de Warhol? Até que ponto podemos estar não apenas induzindo a visão de alguém ou mesmo falando bobagens sem nexo com a obra? Falar ou não de um vínculo ético entre trabalho e vida? A fala e vida do artista deve guiar a interpretação de seus trabalhos?

Concreto por todos os lados. Reiniciamos nossa viagem por uma breve história da pintura. Inicialmente: Mira Schendel. O universo sensível não nos abandona. Insistimos em ver/encontrar representações/imagens espelho do mundo “exterior”. Como parece difícil suspendermos o juízo por um minuto e apenas não pensar. Iniciamos uma investigação sobre a perspectiva ali presente. Ela apontaria para o surgimento de um “indivíduo moderno”, denotando algo como uma visão “pessoal”, uma moral ligada a determinada estrutura social e seu modo/ideologia de vida? A isso se segue uma discussão entorno da forma, contrapondo uma proposta de figuração modernista de artistas brasileiros que importa certa forma e “inova” nos motivos/assuntos a uma noção de forma difícil presente em Mira Schendel. Começamos a nos deixar afetar, passado um minuto, o pensamento se atiça. Uma miríade de interpretações reverberam pelo ar. Finalmente um pouco mais abertos, o trabalho nos vara. Uma descrição leva a pensar, por semelhança, num possível signo japonês. O que pensar, diante de uma artista que em outros trabalhos demonstrara tanta delicadeza e agora, aparentemente, irrompe em pinceladas (?) tão impetuosas e convulsas? Gesto gratuito? Possível signo japonês de ponta cabeça – coincidência? Talvez não. Diante da palavra, a representação imagética pode evanescer, em vista do peso que damos a ela – ou seria o contrário? Por ela justifica-se teorias científicas. Nela, na palavra que pode ser de honra, amiúde confiamos. No trabalho que vimos de Mira, vemos um signo atuando como letra/palavra e imagem, numa espécie de embaralhamento. Mas por que raios de ponta cabeça? Como interpretar tal trabalho? Diante da descaracterização do símbolo ela estaria nos sugerindo apenas uma fruição sensível e não moral/intelectual? Estaria ela dizendo – não leia – deixe afetar/sensibilizar!? “Os signos exercem poder em nome de quem deles dispõe e os distribui, mas as imagens exercem poder já a partir de sua própria força e do empréstimo que elas fazem da realidade”(BELTING). Haveria então relações de preponderância?

Ânsia? Tontura? Sensação estranha – um certo desconforto nos ronda. Baselitz – alguma perplexidade. Início de conversa – campo fecundo -, incorpora e desdobra outros assuntos – alguns, um pouco distantes do que vemos, mas não menos interessantes – loucurinhas - Brasília. Baselitz e Brasília? Inusitado, mas muito legal. Técnica, a visão e cognição do mundo – eis alguns dos temas tocados.

Uma bofetada, mais uma: Kiefer. Mas que mão leve, parece que acaricia. O mundo “exterior”, frequentemente, é buscado na pintura. Quando de fato estamos diante, incrédulos, titubeamos. Os materiais e a poética do trabalho nos leva a pensar nas possibilidades de sua conservação.

De repente: Nuno Ramos. Elementos estranhos fixados em algo como uma tela ou sei lá o que - eles nos acenam e nos inquirem sobre sua procedência. Entramos na dança. Pintura expandida? Nuno diz fazer pintura – o que fazer, acatar? Desconfiar? Enfrentar? Discordar? Intempestivo, em meio ao sol da manhã, um trovão: - Por que isso pode ser considerado arte? Os trabalhos que vemos, nos levam a consideração de que pintura não é apenas busca por beleza – ela tem outros valores; que ela não precisa ter motivo/assunto. Outra questão que nos embate com uma história da pintura: a tridimensionalidade. Sorrateira, uma informação: Nuno tem certa idéia para seu trabalho na Bienal. No entanto, a instituição lhe põe barreiras/limites, querendo submetê-lo. – O que é arte? O artista tem a idéia/proposta, mas um alguém não aceita. A idéia corre o risco de se dobrar. Quem diz o que é arte? Em que momento a idéia ganha tal estatuto? É possível falar em “arte” fora do âmbito institucional? Isso faz algum sentido?

Gerhard Richter. Sua técnica ascende como postura/proposição diante da fotografia. – Uma pintura com foco? .(silêncio). Suas pinturas, imbuídas de declarado hiper-realismo estariam a apontar para um confronto com a reprodutibilidade da imagem fotográfica? Que espessura pode ter tal hiper-realismo? .(decepção). Algum desânimo: Richter – pintura não objetual. Tanto desânimo, para quê? “Somos rápidos em criticar as imagens porque elas mentem, algo que nós não lhes perdoamos. Porque nelas procuramos provas daquilo que queremos ver com os nossos próprios olhos.”1 Mas antes da repulsa, uma vez mais, que tal suspender o juízo, ver, afetar-se, pensar, lembrar? Imagem, outrora, hiper-realista – denotando assim uma espécie de proximidade com a fotografia, possível modo de registro. Eis que, em algum tempo, ele pinta e depois borra – pinta por cima. A imagem/pintura supostamente figurativa que antecede o resultado final ganha um caráter efêmero. Isso que se dá no processo/decorrer de tal nova fase de sua plástica, o que antecede (talvez uma figura) o resultado final, é registrado apenas em um lugar: sua mente. Como reprodutibilizar o inconsciente? Besteira? Talvez.

Daniel Senise. Técnica que se repete. Produtos nos tacos que marcam a tela. Uma atmosfera/superfície com a aparência envelhecida.

Adriana Varejão.(Alguma repulsa e rejeição). A maioria do grupo atribui ao trabalho certa literalidade.

Paula Rego. (certa admiração e, uma vez mais, perplexidade). Relações com sketches – quadrinhos.

Jeff Koons. - O que torna seu trabalho arte? – Aparentemente, o resultado não têm a marca do artista, diferentemente, nesse sentido, de outro artista que trabalhava com idéias possivelmente aproximadas – Andy Warhol. – Onde está o gesto do artista? Na proposição? .(alguma revolta). O artista não põe a mão no trabalho, mas o pensamento. Utilizando-se de imagens publicitárias faz sua “arte”. –Ele propõe uma discussão legal – será que ele pensa em tal discussão?( Novamente – ele é “crítico”?) Apenas isso faz dele artista? Por que não se expressar de outro modo? (dum outro extremo:) – Mas ele escolhe a linguagem, escolhe se expressar artisticamente. E ...?

On-Kawara. – Não há criatividade. – Por que ele não faz tais trabalhos num caderninho e guarda para si?Qual a necessidade de expor tais trabalhos? – A discussão que ele propõe é fraca. (alguém pontua:) – Mas vários desses quadros, numa galeria, detonam outros sentidos. – Isso é “arte”! (será tão claro assim? Antes pensar no que pode ser arte ou não, teriam assuntos a serem debatidos a partir dos trabalhos que independam de seu caráter presumivelmente artístico?) (adição ao coro:) – O processo tem gigantesca relevância. Onde paira o gesto em seus trabalhos?Podemos vê-los como uma pesquisa sobre as formas e as cores? Teriam eles uma dimensão conceitual que se sobrepõe a própria visualidade em importância? Ou seria apenas um ato manifesto de uma ética/ ofício, quase que rotina de concentração e meditação, revelando-se em certa “simplicidade”? . (uma vez mais). - Novo questionamento sobre a própria história da arte ou sobre a própria espessura do sentido de pintar?

Roman Opalka -(1234567891011121314151617181920212223242526272829303132333435363738394041424344454647484950) – “All my work is a single thing, the description from number one to infinity. A single thing, a single life “. Possibilidades de mediação. Como inserir Opalka num roteiro de visita? Como falar em técnica diante de seu trabalho? Quais as exigências e condições que se impõe no trato de trabalhos ditos conceituais?

Pouco a pouco, a “arte” passa a ser vista no domínio institucional/convencional. (Alguém diz) - O quadro/objeto ao fim, “finalizado”, em exposição, nem de longe abarca o pensamento/intenção do artista.Mas ao mesmo tempo há quem pense e fundamente - a obra supera a intenção (R. Kraus). Aonde então buscar uma compreensão maior acerca de um trabalho? Nos trabalhos que o antecedem? Na pura visualidade? Na história do artista? Na nossa “cultura globalizada”? Na “cultura regional” donde procede? Na história da arte? Como fazer tal investigação e falar sobre um trabalho sem deturpá-lo? Ele tem limites de interpretação?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lasar Segall (Lívia)

A visita de hoje, 13 de Maio, foi no Museu Lasar Segall que se encontra no bairro da Vila Mariana em uma ruazinha bem agradável em que possuem várias casas semelhantes e o Museu por também ser uma “casa” parece fazer parte daquela rua de forma natural.

A primeira parte da visita foi o acolhimento, em que a educadora Branca apresentou as outras pessoas participantes do educativo, além de contar um pouco da história do Museu, que o lugar era a casa do artista e do lado era a de seu filho. Explicou que as obras do acervo do artista e algumas partes da casa foram tombadas, enquanto outras tiveram que passar por reformas para poder se tornar um museu. Falou ainda dos outros espaços que o museu possuía, como o cinema, biblioteca, ateliê e que lá também são oferecidas oficinas de fotografia, gravura. Apresentou um pouco do trabalho do educativo, o qual normalmente a monitoria é realizada em várias etapas para se tratar de um mesmo assunto, que este é específico de acordo com cada público recebido e que sempre são elaborados novos roteiros de acordo com as exposições temporárias.

A segunda parte da visita foi feita no Jardim e a atividade proposta era de que todos pegassem uma frase aleatória e a continuassem, no meu caso foi... Se você fosse uma maçã você seria... Suculenta (minha resposta)! Achei bem interessante essa atividade, pois todas as pessoas participaram, foi um momento de descontração e de aproximação do educador com nós, os visitantes. Após essa atividade, foram expostas as recomendações para o andamento da atividade, as regras.

A próxima etapa ocorreu no espaço expositivo do acervo Lasar Segall e a atividade proposta era para que fosse escolhida uma obra dentre as que já estavam relacionadas pelos educadores a um objeto ou obra presente no material educativo da Bienal. Após isso, era para as pessoas que se identificaram com a mesma obra, discutissem quais poderiam ser a relação entre elas.

Algumas questões levantadas em cada grupo:

1° - Relação da Obra “Navio de Emigrantes” e o trabalho de Lygia Pape. A discussão do coletivo; o retrato do sofrimento; o indivíduo como parte do todo, presente nas duas obras; por que as duas obras se relacionam com o viver, no primeiro a busca de uma nova vida, o emigrar; o que representa o pano branco da performance só com as cabeças das crianças para fora, que talvez significaria o romper.

2° - O trabalho do Cildo e a escultura. Foi abordado o pensar no corpo; os arquétipos do masculino e feminino; a relação da dominação do homem sobre a mulher; a prostituição; as diferenças do modo de ver cada uma das obras, a do Cildo só possuir sentido se for compreendido o período histórico, a questão de ser circulado no mercado; a obra que foi até o público, enquanto a escultura poderia abrir a discussão para vários tipos de abordagem. A partir disso, foi questionado se é possível analisar uma obra de arte por ela mesma, sem pensar na questão política, na arte autônoma.

3° - Quadro e a cadeira. As discussões colocadas foram que as duas são representações da natureza; a linguagem da arte, em que a cadeira poderia ser um objeto de arte, no entanto, passou a ser um objeto utilitário e ser vista como tal.

4° - “Auto-retrato” e “A procisão”. Os pontos de vista foram que a segunda obra evidencia a realidade para afirmar algo, como a crítica em relação ao comportamento das pessoas diante de uma obra de arte no Museu, o por que delas estarem lá, se realmente contemplam as obras, querem ser vistas ou por uma pressão social? Já o auto-retrato, foi colocado a importância do local em que ele se encontrava, que era em um lugar de passagem e ao contrário de “A procisão” não parecia estar preocupado com a proximidade da realidade.

5° - A maçã e o quadro. Foram feitas várias suposições do que estava retratado no quadro; se eram fantasmas criados pelo personagem central do quadro; se o mesmo poderia ser o opressor de todos os outros; já a relação com a maça era que os personagens do quadro poderiam ser os “frutos” da Guerra; a questão da fome pós guerra; o pintor colocar em vários quadros a questão das pessoas em situação de vítimas. .

A última atividade foi o fechamento que ocorreu no auditório. Nesta etapa a educadora colocou em questão o quê o grupo sentiu nas experiências, se elas se relacionaram. Além disso, foi exposto o trabalho da instituição que segundo ela está baseado nas:

Tipologia de visitas:
- Visita palestra
- Discussão dirigida
- Descoberta orientada

Além dos níveis de desenvolvimento estético, que ajudam na estruturação da visita, no autoquestionamento de como estou conduzindo o público, se poderia abordar de outra forma, se o percurso e a participação do público está se dando de maneira orgânica.

Os Programas oferecidos pelo Museu:
- Museu Escola
- Museu Família
- Museu Comunidade

Todos os programas são avaliados constantemente por meio de pesquisa para validar ou não a sua efetividade e se for o caso há readequações. Os últimos estudos do educativo para readequação da linguagem se concentraram nos seguintes autores:

Em educação:
- Imanol Aguirre
- Bernard Darras
- John Devey
- Jorge Larrosa

Em teoria da Arte:
- Arthur Danto
- Giulio Carlo Argan

As referências bibliográficas que estão relacionadas ao tema da visita:

Arte e Vida
- Mario Pedrosa
- Hélio Oiticica (olhar site do Itaú Cultural)

Arte e Política
- Miguel Chaia
- Aracy Amaral

Linguagem da Arte
- Arthur Danto
- Argan
- Paulo Freire

Na minha opinião, as educadoras que nos acompanharam foram muito simpáticas, estavam dispostas a questionamentos, propuseram o debate e o organizaram bem. Além disso, propiciaram várias atividades importantes para a nossa formação, principalmente o de ter que relacionar as obras. A educadora Branca respondia com propriedade sobre os assuntos perguntados e conseguiu manter bem o andamento das atividades programadas. No momento da visita só estavam os dois grupos da Bienal e a atividade realizada no acervo do Lasar Segall estava de acordo com os interesses dos grupos, ou seja, foi realizado atendimento específico.

Em relação à estrutura do museu, à sua frente possuía vaga de estacionamento para pessoa deficiente, no entanto, a acessibilidade do local para cadeirantes é muito difícil, pois há várias portas estreitas e escadas no local de exposição do museu. Não vi e nem foi falado sobre algum tipo de diferenciação de visita para o público com deficiência auditiva e visual.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

MAM (Marianne)

Situado no mais importante parque da cidade, o Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM está localizado entre o Pavilhão da Bienal e a Oca, em um conjunto projetado por Oscar Niemeyer na década de 50. Apesar de haver sido fundado em 1948 pelo empresário Francisco Matarazzo, é apenas em 1969 que o MAM passa a ocupar o Ibirapuera, após uma reforma do edifício realizada por Lina Bo Bardi.

Este contexto histórico do museu foi um dos tópicos abordados na breve apresentação da educadora Diana que deu início à nossa visita no começo da manhã. Além disso, falou-se sobre o acervo do MAM que, a despeito do nome, reúne sim uma coleção de obras de arte contemporânea – e não moderna. Com um acervo de mais de cinco mil obras, o museu conta com uma coleção bastante diversificada de pinturas, esculturas, fotografias, performances e, dentro de suas últimas aquisições, destaca-se a entrada do museu que agora conta com uma parede que abriga o colorido universo criado pelos grafiteiros OsGemeos. A apresentação seguiu-se por um bate-papo - realizado dentro da própria exposição que seria em seguida visitada pelo grupo - no qual foram aprofundadas questões e dúvidas a respeito da ação educativa no MAM.

Criado em 1998, o setor Educativo conta com três educadores permanentes, além de uma equipe de colaboradores e estagiários. Segundo Diana, ele está intimamente ligado à curadoria do museu, e tem como missão a formação do público e a construção do conhecimento. Com o objetivo de “despertar a sensibilidade do visitante e auxiliá-lo em seu processo de interpretação e reflexão sobre arte”, o Educativo conta com uma série de programas e parcerias, focados em atividades práticas. Além de o museu proporcionar encontros com professores e universitários (“Contados com a arte”), destaca-se o programa “Igual, diferente”, com foco em visitas para perfis específicos de público (como deficientes visuais e auditivos) e a iniciativa “Escolas Parceiras”, que tem como objetivo articular a programação do MAM com o calendário pedagógico das instituições de ensino. Cabe aqui citar a organização da Curadoria no sentido de elaborar um calendário bastante específico a respeito das exposições que ocuparão o museu com muitos meses de antecedência, estabelecendo assim um diálogo mais sintonizado com as escolas.

No que se refere às visitas educativas, Diana destacou três perfis diferentes que, apesar da divisão, se articulam e dialogam entre si, a saber: “visitas mediadas” (focadas sobretudo em uma interação maior com o público, através de conversas e discussões); “busca orientada” (na qual o grupo deve “procurar” um elemento específico na exposição, privilegiando uma idéia de autonomia); e por fim, “visitas-palestra.” Em relação ao acolhimento do grupo, a educadora contou que este normalmente é realizado na área externa do museu, aproveitando o Jardim das Esculturas, projeto de Burle Marx que reúne cerca de 30 obras pertencentes ao acervo do MAM. Esse momento é então fundamental para estabelecer um primeiro contato com o grupo, conhecendo-o um pouco melhor, e ainda é quando se é possível delimitar regras, explicar como se dará a visita e, ainda, acessar o professor. Após esse momento, tem-se o desenvolvimento seguido de uma conclusão da visita, sendo que existem atividades práticas a serem propostas entre esses três períodos.

Após esse bate-papo com a educadora do MAM, seguimos então com a visita propriamente dita à exposição do artista Flávio de Carvalho. É importante ressaltar que esta foi a primeira visita do grupo feita de forma realmente “livre” a uma exposição, no sentido de que não houve acompanhamento de nenhum educador, nem palestras sobre o tema ou artista. Além disso, cada um pôde realizar a visita de forma autônoma, tendo sido combinado um horário para o reencontro do grupo.

Com essa proposta, fomos instigados a focar, durante a visita, especialmente em estratégias de observação, pensando o espaço da exposição, a disposição das obras, o tempo para visita, entre outros aspectos. Flávio de Carvalho é um nome fundamental para a arte contemporânea, já que suas obras têm, até hoje, repercussão no cenário artístico brasileiro e do mundo. Este artista que era pintor, escritor, arquiteto, ilustrador e cenógrafo tem, nesta exposição, uma curadoria que propõe, seguindo uma linha temporal, um cruzamento de leituras dessa obra, permitindo vislumbrar as múltiplas atividades que ele realizava simultaneamente ao longo de sua trajetória. Através de uma variedade de desenhos, pinturas, projetos, fotografias, textos e filmes, o visitante entra em contato com uma multiplicidade de temas, desde os projetos arquitetônicos no começo da carreira do artista (final dos anos 20), até seus últimos retratos psicológicos da década de 70.

Se essa amplitude e variedade do legado de Flávio de Carvalho podem impressionar em um sentido positivo, não deixam de trazer também suas contrapartidas. Após a visita individual de cada membro do grupo, discutiu-se a dificuldade com que um visitante pode se deparar diante de um artista de múltiplas “facetas”, em uma exposição que nem sempre articula de maneira clara as obras entre si. Com textos pouco explicativos, aquele que não domina a obra do artista pode sentir-se perdido, “solto”, sem um fio condutor que oriente a visita. É verdade que a exposição apresenta uma narrativa da trajetória de vida de Flávio de Carvalho, porém tem-se a impressão que não se prioriza a questão do “processo”, fundamental para compreender a obra de qualquer artista contemporâneo. Nesse sentido, o grupo discutiu brevemente essa idéia da arte como um processo – e nesse ponto é possível fazer um paralelo importante com nosso trabalho na Bienal. A questão do porquê de se expor o trabalho de um artista em detrimento de outro, quando aparentemente a obra não apresenta algo essencialmente inovador ou único, ou ainda do porquê de se expor especificamente aquela obra e não outra, muitas vezes pode ser compreendida a partir da importância daquele trabalho enquanto parte de um processo, de sua relação com algo maior. Em contrapartida, é importante um cuidado para não reduzir a explicação a esta única variável, enfraquecendo assim o potencial que uma obra é capaz de carregar em si, a despeito de sua relação com o externo.

Falamos brevemente a respeito do “direito” do público de não se identificar com determinada obra ou artista. Não há problemas nessa posição, muito pelo contrário, desde que este “não gostar” seja construído a partir de um olhar crítico e consciente. Por fim, diante da relação muito próxima que o Educativo do MAM estabelece com a Curadoria do museu, colocou-se a questão de quais são as perdas e ganhos nesta relação, a ser discutida em um próximo encontro.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Museu da Casa Brasileira (Juliana Silva)

No dia 11 de maio o grupo 8 visitou o Museu da Casa Brasileira. Localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o local é de fácil acesso tanto por transporte público quanto de carro. Uma grande casa amarela que data da década de 1940 abriga desde 1972 o museu e, no andar superior, uma instituição particular da família Prado, a quem pertencia a casa anteriormente.

Logo quando chegamos, fomos levados para um jardim na parte de trás da casa e recebemos dos educadores Ingrid e Daniel, as primeiras instruções e informações sobre o lugar e como se daria a visita. O acolhimento foi feito junto com o outro grupo da Bienal e os dois educadores do MCB dividiram a apresentação.

Os monitores começaram falando sobre o que poderíamos esperar daquela instituição e que tipos de objetos se encontram por lá, como móveis e outras peças que preservam a memória da vida privada. Além disto, segundo eles, o museu discute também temas pertinentes a arquitetura e design.

Nosso grupo realizou primeiro a visita no térreo e depois conheceu a fundação, fomos acompanhados pelo educador Daniel, que nos explicou que o esquema da visita seria o mesmo que geralmente é feito com várias turmas, com o diferencial que também teríamos uma meta-visita na qual seriam evidenciados temas pertinentes à prática da monitoria em museus e possíveis abordagens com diferentes grupos.

Foi possível notar a existência de um fio condutor na visita, o educador nos conduziu pelas peças do museu, distribuídas conforme a utilidade, e elegeu as que julgou mais interessantes para algumas discussões. A escolha do percurso não foi necessariamente fixa e quando o grupo demonstrou interesse por um objeto que não seria observado, o trajeto foi brevemente alterado e a peça de interesse do grupo pôde ser discutida.

Ao longo do percurso foram levantadas varias discussões, vale destacar que estas se originaram a partir das perguntas e proposições que nos eram feitas pelo educador, o que também nos possibilitou questionamentos quanto à criação de viés para respostas e para a discussão. Por outro lado, também foi conversado sobre a necessidade de se criar um discurso vinculado ao grupo e que a discussão deve ser baseada nas respostas que são dadas. (O monitor ficou surpreso com a resposta do Felix quando apresentava o banquinho indígena e teve que trabalhar com a possibilidade que lhe foi apresentada).

As discussões ao longo da visita passaram rapidamente pelas idéias de público e privado -armário e guarda-roupas-, construção de uma identidade nacional, idealização do índio, etc -rede -, a importância do meio do processo e do educador como mediador – batedeira - e, na fundação, a discussão girou em torno da construção de uma memória e de um discurso.

Segundo o educador, o público que visita o museu é muito variado e costumam haver temporadas de grupos que freqüentam mais em determinadas épocas. Algumas vezes o museu é mais freqüentado por ONGs e outras instituições similares, em outros períodos por escolas e em outros por grupos com necessidades especiais.

O MCB atualmente possui uma parecia com as escolas estaduais e tem recebido, na maioria das vezes, crianças de terceira e quarta série e adolescentes de sétima e oitava. Com as crianças juntamente com o programa das escolas geralmente o tema trabalhado são os “objetos que possuem história” já com os adolescentes de sétima e oitava série as discussões costumam passar por temas como “memória e a construção desta”.

Após a visita, houve uma reunião com os dois grupos e nos foi proposta uma dinâmica. Pediram para que estes grupos se subdividissem em seis menores e, cada um elaborasse uma visita monitorada voltada para um tipo especifico de público. Os tipos de público propostos para que pensássemos as visitas foram: universitários não participativos e que buscavam conhecimento especializado; jovens detidos e em processo de reinserção social; grupos com algum tipo de deficiência mental; ONGs de comunidades carentes que trabalham com reciclagem; adolescentes de sétima e oitava série, e crianças de terceira e quarta série que vão pela primeira vez a um museu.

Novamente foi trazida a questão de se construir a visita juntamente com o grupo que está presente no momento. Os tipos de acolhimento e monitoria propostos foram diferentes para cada grupo, em sua maioria visaram aproximar o visitante do museu tentando fazer com que a sua vivência fosse importante para a discussão e que a visita ao museu seja, de fato, uma experiência.

Para os grupos com necessidades especiais foram propostas monitoria e acolhimento que aproximassem o visitante de sua afetividade proporcionando uma experiência mais intensa e agradável. Já para os grupos de reinserção social a proposta passou por aproximar da vivência trazendo conceitos de público e privado e outras noções que estão presentes no dia a dia, mas que não exigissem que falassem muito de suas experiências logo no começo.

Para as crianças foram pensados acolhimentos que passassem uma imagem agradável de um museu e ligassem o que elas veriam na visita com o que vêem fora dela, e pudessem fazer conexões com suas vidas através daquela experiência. O grupo que pensou na visita com comunidades carentes que trabalham com reciclagem e artesanato propôs ligar a visita e a parte da técnica e do fazer artístico para então relacionar com outras questões mais amplas.

Para os universitários de design foi pensada uma visita mais focada nas peças e na arquitetura do local com especificações técnicas e perguntas que pudessem desafiar os estudantes a serem mais participativos. E por fim, para os alunos de sétima e oitava série foi proposta uma monitoria que fizessem perguntas sobre a vivência dos adolescentes e a partir disto ligasse com questões e temas presentes no museu.

O encerramento aconteceu com a apresentação de cada um dos grupos sobre as diferentes formas de monitoria e uma conversa rápida com os educadores sobre cada uma das propostas apresentadas.

Sem dúvida, a visita ao MCB e, em especial, a última parte, que nos permitiu pensar na prática como realizaríamos diferentes tipos de monitoria, foi de grande importância para nossa formação. O nosso simpático grupo 8 dá mais um passo na sua formação de educadores, para um público tão diverso como o da Bienal.