quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lasar Segall (Lívia)

A visita de hoje, 13 de Maio, foi no Museu Lasar Segall que se encontra no bairro da Vila Mariana em uma ruazinha bem agradável em que possuem várias casas semelhantes e o Museu por também ser uma “casa” parece fazer parte daquela rua de forma natural.

A primeira parte da visita foi o acolhimento, em que a educadora Branca apresentou as outras pessoas participantes do educativo, além de contar um pouco da história do Museu, que o lugar era a casa do artista e do lado era a de seu filho. Explicou que as obras do acervo do artista e algumas partes da casa foram tombadas, enquanto outras tiveram que passar por reformas para poder se tornar um museu. Falou ainda dos outros espaços que o museu possuía, como o cinema, biblioteca, ateliê e que lá também são oferecidas oficinas de fotografia, gravura. Apresentou um pouco do trabalho do educativo, o qual normalmente a monitoria é realizada em várias etapas para se tratar de um mesmo assunto, que este é específico de acordo com cada público recebido e que sempre são elaborados novos roteiros de acordo com as exposições temporárias.

A segunda parte da visita foi feita no Jardim e a atividade proposta era de que todos pegassem uma frase aleatória e a continuassem, no meu caso foi... Se você fosse uma maçã você seria... Suculenta (minha resposta)! Achei bem interessante essa atividade, pois todas as pessoas participaram, foi um momento de descontração e de aproximação do educador com nós, os visitantes. Após essa atividade, foram expostas as recomendações para o andamento da atividade, as regras.

A próxima etapa ocorreu no espaço expositivo do acervo Lasar Segall e a atividade proposta era para que fosse escolhida uma obra dentre as que já estavam relacionadas pelos educadores a um objeto ou obra presente no material educativo da Bienal. Após isso, era para as pessoas que se identificaram com a mesma obra, discutissem quais poderiam ser a relação entre elas.

Algumas questões levantadas em cada grupo:

1° - Relação da Obra “Navio de Emigrantes” e o trabalho de Lygia Pape. A discussão do coletivo; o retrato do sofrimento; o indivíduo como parte do todo, presente nas duas obras; por que as duas obras se relacionam com o viver, no primeiro a busca de uma nova vida, o emigrar; o que representa o pano branco da performance só com as cabeças das crianças para fora, que talvez significaria o romper.

2° - O trabalho do Cildo e a escultura. Foi abordado o pensar no corpo; os arquétipos do masculino e feminino; a relação da dominação do homem sobre a mulher; a prostituição; as diferenças do modo de ver cada uma das obras, a do Cildo só possuir sentido se for compreendido o período histórico, a questão de ser circulado no mercado; a obra que foi até o público, enquanto a escultura poderia abrir a discussão para vários tipos de abordagem. A partir disso, foi questionado se é possível analisar uma obra de arte por ela mesma, sem pensar na questão política, na arte autônoma.

3° - Quadro e a cadeira. As discussões colocadas foram que as duas são representações da natureza; a linguagem da arte, em que a cadeira poderia ser um objeto de arte, no entanto, passou a ser um objeto utilitário e ser vista como tal.

4° - “Auto-retrato” e “A procisão”. Os pontos de vista foram que a segunda obra evidencia a realidade para afirmar algo, como a crítica em relação ao comportamento das pessoas diante de uma obra de arte no Museu, o por que delas estarem lá, se realmente contemplam as obras, querem ser vistas ou por uma pressão social? Já o auto-retrato, foi colocado a importância do local em que ele se encontrava, que era em um lugar de passagem e ao contrário de “A procisão” não parecia estar preocupado com a proximidade da realidade.

5° - A maçã e o quadro. Foram feitas várias suposições do que estava retratado no quadro; se eram fantasmas criados pelo personagem central do quadro; se o mesmo poderia ser o opressor de todos os outros; já a relação com a maça era que os personagens do quadro poderiam ser os “frutos” da Guerra; a questão da fome pós guerra; o pintor colocar em vários quadros a questão das pessoas em situação de vítimas. .

A última atividade foi o fechamento que ocorreu no auditório. Nesta etapa a educadora colocou em questão o quê o grupo sentiu nas experiências, se elas se relacionaram. Além disso, foi exposto o trabalho da instituição que segundo ela está baseado nas:

Tipologia de visitas:
- Visita palestra
- Discussão dirigida
- Descoberta orientada

Além dos níveis de desenvolvimento estético, que ajudam na estruturação da visita, no autoquestionamento de como estou conduzindo o público, se poderia abordar de outra forma, se o percurso e a participação do público está se dando de maneira orgânica.

Os Programas oferecidos pelo Museu:
- Museu Escola
- Museu Família
- Museu Comunidade

Todos os programas são avaliados constantemente por meio de pesquisa para validar ou não a sua efetividade e se for o caso há readequações. Os últimos estudos do educativo para readequação da linguagem se concentraram nos seguintes autores:

Em educação:
- Imanol Aguirre
- Bernard Darras
- John Devey
- Jorge Larrosa

Em teoria da Arte:
- Arthur Danto
- Giulio Carlo Argan

As referências bibliográficas que estão relacionadas ao tema da visita:

Arte e Vida
- Mario Pedrosa
- Hélio Oiticica (olhar site do Itaú Cultural)

Arte e Política
- Miguel Chaia
- Aracy Amaral

Linguagem da Arte
- Arthur Danto
- Argan
- Paulo Freire

Na minha opinião, as educadoras que nos acompanharam foram muito simpáticas, estavam dispostas a questionamentos, propuseram o debate e o organizaram bem. Além disso, propiciaram várias atividades importantes para a nossa formação, principalmente o de ter que relacionar as obras. A educadora Branca respondia com propriedade sobre os assuntos perguntados e conseguiu manter bem o andamento das atividades programadas. No momento da visita só estavam os dois grupos da Bienal e a atividade realizada no acervo do Lasar Segall estava de acordo com os interesses dos grupos, ou seja, foi realizado atendimento específico.

Em relação à estrutura do museu, à sua frente possuía vaga de estacionamento para pessoa deficiente, no entanto, a acessibilidade do local para cadeirantes é muito difícil, pois há várias portas estreitas e escadas no local de exposição do museu. Não vi e nem foi falado sobre algum tipo de diferenciação de visita para o público com deficiência auditiva e visual.

Um comentário:

  1. O Lasar Segall dentre todos foi o que promoveu um maior acolhimento no meu ponto de vista. Talvez por ser a própria casa do artista, tal acolhimento gerou um conforto proporcionado pelo espaço meio que familiar.
    Essa experiência sensória fez com que a participação na dinamica fosse mais natural, sem muito receio que foi bem legal. Creio que me odiaram pelo fato de ter falado de pão de queijo quentinho com manteiga bem no friozinho HUahUAHuAHua desculpa aew.
    Em relação a leitura das obras, vejo que deram bastante tempo para tal apesar de ser uma leitura condicionada através de uma proposta, mas foi bem interessante por ter proporcionado pauta para discussões bem pertinentes.

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