terça-feira, 18 de maio de 2010

Andy Warhol II (André)

Quando fomos pela segunda vez à Estação Pinacoteca para ver a exposição de Andy Warhol, chamada de "Andy Warhol: Mr. América", nós tivemos maior liberdade para abstrair e usufruir do material que estava sendo exposto, graças ao maior período de tempo que nos foi dado para olhar os trabalhos. Apesar de não estarmos acompanhados de um educador, a visita me pareceu bem produtiva e reflexiva para todo o grupo.

A divisão das obras nos espaços acompanhava alguma lógica de temas. Havia o espaço que falava sobre a morte, com as obras "Little Eletric Chair" (Cadeiras Elétricas) e "Suicide" (Suicídio), além da área que tratava o socialismo, que aparentemente teve uma intervenção talvez arriscada da curadoria da Pinacoteca (porém me pareceu funcionar), com a inserção da obra "Cow Wallpaper" (Papel de Parede de Vaca) nessa área. Havia também uma obra específica que eu gostaria de destacar que era "Silver Clouds" (Nuvens de Prata), que era uma das obras mais experimentais de Andy, além de " Cow Wallpaper", e, na minha visão, não tinha funcionado muito bem, talvez pela disposição do espaço ou pelo posicionamento dos ventiladores, pois tive a impressão que os balões que representavam as nuvens pareciam não se movimentar pelo espaço como deveriam.

Quando começamos a analizar as obras de forma mais pormenorizada, percebi que foi aí iniciada uma discussão entre o grupo muito voltada para questões como: se Warhol pretendia fazer uma crítica séria à sociedade norte-americana, com os discursos inseridos em suas obras sobre o poder da imagem, o apelo da propaganda de criar o ideal de personalidade e o desgaste que existe no uso dessas imagens, ou se era uma simples caricaturização da cultura norte-americana com suas cores berrantes e chamativas ou, ainda, se o que ele fazia com as suas obras era propositalmente contraditório e irônico (incluindo aí o tratamanto que Andy dá para o socialismo, que dá a impressão de similitude com o capitalismo norte-americano com relação à imagem e a sua repetição), além de suas respostas (ou pseudo-respostas) com relação a essas constantes dúvidas que surgiram e eram debatidas já na época em que Andy ainda era vivo.
Minha impressão final foi que toda essa contrariedade sentida nas obras de Andy Warhol, tanto com relação às suas intenções quanto às respostas dele às dúvidas que as pessoas tinham, revelavam talvez que suas obras se utilizavam e muito de metáforas nietzianas e que tudo isso era uma provocação proposital.

Um comentário:

  1. Recomendo que vejam também o trabalho do Jasper Johns e Robert Rauschenberg, talvez alguns diálogos sejam relacionados ao Warhola.
    Em relação ao Mr. America, eu na primeira vez ja tinha ficado e visto todas as obras mas foi interessante reve-las juntamente com o grupo por terem surgido alguns questionamentos dos quais na primeira vez passei despercebido. Uma delas foi a questão de subjetividade e temporalidade do video de 8h, e pelo fato de eu ter visto o prédio acender que foi maior legal.
    Ainda acredito, vendo pelo aspecto meio bipolar do Andy, que a intenção dele era fazer o Tico e o Teco do espectador se matarem na porrada com os contrapontos de seu discurso e obra. Além de que o direcionamento proposto por sua ação verbal é muito claro dentro dos conceitos americanizados de capitalismo.

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