quarta-feira, 5 de maio de 2010

Museu Afro (Juliana Fernandes)

A visita ao Museu Afro começou por volta da 10h00. Todos os grupos foram reunidos no auditório do museu, onde a coordenadora do educativo deu uma introdução sobre o Museu Afro e sobre como seria nossa visita.

A visita foi dividida em duas partes: visita ao acervo acompanhado de um educador do próprio museu e uma palestra sobre arte africana.

Segundo a coordenadora do educativo, o Museu Afro é um museu brasileiro voltado para a cultura afro-brasileira.

É um museu relativamente novo, inaugurado em 2004. O museu conta com obras relacionadas à temática do negro, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos e documentos. O acervo possui mais de 3000 obras catalogadas, e dentre elas estão doações de Emanoel Araújo, atual curador do museu.

O acervo divide-se em núcleos: “África”; “Trabalho e escravidão”; “O Sagrado e o Profano”; “Religiosidade Afro-Brasileira”, “História e memória”, e “Arte”.

A visita pelo acervo foi guiada pelo orientador Marcelo e foi rápida se levarmos em conta o tamanho do acervo. Iniciamos no núcleo de arte com o artista baiano Rubem Valentim. As obras consistem em esculturas e gravuras. As esculturas são totens de madeira pintada, na maioria das vezes, com tinta acrílica. Pode-se observar uma simetria e o uso de elementos geométricos e cores fortes. Suas obras tem influências das religiões de base africana como o candomblé, fazendo constantemente referência aos símbolos presentes nesta religião.

Passamos também pelas obras de natureza-morta de Estevão Roberto Silva. Foi um artista negro que freqüentou a Academia Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro. Suas obras são na maioria naturezas-mortas, que se caracterizam pelo desenho de observação de seres inertes. Analisamos ainda quadros de outro artista negro que freqüentou a Academia Imperial de Belas Artes também, mas cujas obras tem um estilo mais impressionista, composto por imagens “borradas”, característica impressionista.

Outra obra que analisamos, foi uma que continha vários frascos de perfume vazios com foto de casais negros aparentemente dançando em que a mulher vestia sempre um vestido azul e seu rosto estava desfocado ou riscado.

Passamos pelo núcleo de escravidão e trabalho, onde lemos uma carta de alforria e vimos fotografias e documentos da época. A carta em questão era do escravo José, sem sobrenome, que tinha aproximadamente 60 anos quando foi libertado pelo patrão.

Último núcleo que visitamos foi o de religião, onde havia vestimentas e esculturas dos orixás. Uma escultura que discutimos foi uma que faz referência à umbanda.

A palestra no auditório tratou de estudos sobre a arte africana, em que a palestrante deu uma contextualizada sobre como começou o interesse pelo estudo dessa arte. A maior parte das obras, adquiridas desde os tempos de colonização, encontram-se em museus da Europa, dentre eles o Museu de Etnologia de Berlim. De certa maneira isso é ambíguo no sentido em que a Europa tem um acervo valioso que não lhe pertence, mas ao mesmo tempo isso permite que hoje a arte africana seja estudada e preservada.

A palestra abordou também sobre a arte das culturas Nok e Ife. As esculturas da arte Ife apresentam uma qualidade estética e técnica aprimorada; observa-se uma semelhança com o idealismo classicista grego nas proporções estéticas. As esculturas da arte Nok são na maioria representações humanas, em que os olhos são grandes e semi-cirulares com as pupilas perfuradas.

Um comentário:

  1. Minha concepção reflete a de todos, a mediação foi o que matou a visita. Haviam trabalhos, ou melhor, um acervo extremamente grande e lotado de conceitos e experiencias que poderiam ter sido aproveitados mas que infelizmente não pudemos.

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