Sob o sol gostoso da manhã, conversamos sobre a visita à Caixa Cultural. Todos achamos muito boa a oportunidade de discussão em um grupo onde a variedade de conhecimentos específicos é significativa, mas também percebemos que é preciso estar aberto ao diálogo para aproveitar ao máximo esta oportunidade de compartilhar informações.
Decidimos algumas questões para o encontro teórico, faremos uma troca de bibliografias e daremos prioridade a uma pesquisa introdutória a historia da arte para melhor entender a arte contemporânea e seus conceitos. Isso tudo em um delicioso pic-nic no parque!
A visita começou com uma palestra ministrada por Mila Chiovatto, que está a frente da ação educativa da Pinacoteca e da Estação Pinacoteca, além de estar dando a oficina Experiência Hélio Oiticica acompanhada da artista Geórgea Kyriacakis no Itaú Cultural. Mila iniciou sua fala nos mostrando como o nosso trabalho de educador é invisível porém fundamental dentro de um espaço expositivo, e nos deu a simples tarefa de mudar esse quadro.
Tivemos uma breve explanação sobre museologia. Mila se apoiou nos conceitos da Museóloga Waldisa Russio para nos mostrar a importância da conservação de objetos com significação social. Esses objetos isolados de seu circuito de atividade econômica e inseridos no da arte, tem a responsabilidade e o poder de gerar estudos e discussões sobre política, comportamento e sociedade.
Sendo assim, é por meio da obra de arte e do contexto em que ela foi produzida que se compreende não só a própria arte mas também o mundo. O museu é o agente catalizador e difusor de cultura, e que tem a função social de aguçar e possibilitar uma consciência crítica, ele deve facilitar a ação transformadora do homem.
Entendemos com isto, o quanto é importante sermos capazes de tratar de assuntos além da arte em uma exposição.
Foram apontadas diferenças básicas entre educação formal e a informal como o tempo de contato que se tem com o público e o descompromisso com uma grade curricular. Isso exige uma abordagem de aproximação muito mais delicada, onde a construção conjunta de conhecimento é a melhor opção.
Mila sugere que ao trabalhar uma obra, em especial as contemporâneas, se estimule um exercício de reflexão que se torna um exercício ético, pois a arte é capaz de comportar e se valorizar a cada nova visão que se cria sobre ela, evidenciando a idéia de convivência. Nos foi recomendado também que não fiquemos presos a esquemas e métodos pré-estabelecidos para uma visita e que estejamos abertos para sentir as necessidades do grupo.
Entramos em contato com alguns teóricos considerados importantes dentro das pesquisas sobre educação, a primeira foi Abigail Hausen numa referência a um texto de 1983 onde ela expõe uma pesquisa sobre a percepção e apreensão de imagens por grupos de contextos e faixas etárias distintas. A pesquisadora chegou a classificação de 5 níveis principais de compreensão. (Devemos lembrar que essas classificações podem coexistir e transitar).
Narrativo: normalmente observado em crianças. Para elas, a pintura de uma mulher não é a representação desta, mas sim a própria mulher, ela deve se relacionar e fazer parte da experiência pessoal do observador.
Construtivo: “isto não é arte!”. Este público parte da negação, compara o que vê na arte contemporânea a seus valores pré-estabelecido de arte arte. O melhor modo de trabalhar este grupo é trazer a interpretação para o campo da experiência pessoal, e aos poucos desconstruir os antigos valores.
Classificativo: este grupo exige informações teóricas objetivas, ele lê a obra a partir de seus conhecimentos sobre arte, não se relaciona com o trabalho de forma lírica, sendo assim devemos evitar perguntas interpretativas e tentar ganhar sua confiança em uma conversa que caminhe em direção a experiência.
Interpretativo: estas pessoas sabem classificar uma obra e conseguem, espontaneamente, se relacionar subjetivamente com ela.
Recreativo: É capaz de ignorar conhecimentos técnicos e conceituais para construir uma relação para a vida.
Depois de nos passar este pequeno guia de sobrevivência, Mila apresentou mais um teórico, John Dewey, que traz a experiência para a educação, a experiência vivida se destaca da vida e se torna paradigma, servindo de referencia para tudo.
(Estou procurando entre os meus xérox um texto bem legar sobre a obra de arte como experiência).
Outro teórico que foi lembrado para a compreensão da importância da experiência foi Jorge Larrosa, que chama a atenção para o fato de que muitas coisas acontecem, mas pouca coisa nos acontece, a experiência deve acontecer em mim para que me transforme, não basta que ela aconteça ao meu redor.
Para concluir a incrivel palestra, Mila falou sobre o conceito de educação liquida e como ela se evidencia durante o processo de construção do conhecimento em uma ação educativa, onde nós, educadores fazermos a ponte na negociação de sentidos dentro de uma obra de arte. Ela nos alertou de que pensar a intenção do artista como a única forma de interpretação, é impossibilitar a aproximação entre público e obra.
Depois desta aula sobre educação fomos visitar a exposição com os trabalhos de Andy Warhol. Quem nos acompanhou foi o Jorge, e foi claramente perceptível a diferença que faz a aplicação dos conceitos aprendidos durante a palestra, o grupo participou muito mais nesta visita do que nas feitas anteriormente, durante o trajeto, o Jorge estimulava leituras e fazia observações sobre o que geralmente acontece em atendimentos escolares.
Em seguida descemos para uma sala onde tivemos contato com o material educativo usado durante as visitas. O material era mais voltado para o acervo permanente, mas algumas coisas como o s cartões de sugestão de leitura podia ser usado em qualquer exposição. Estes jogos de interpretação foram elaborados pelos próprios educadores de acordo com as necessidades sentidas durante as visitas, cada um carrega em uma bolsa o material que mais se adequa a suas intenções, e fazem as atividades no próprio espaço expositivo.
O monitor nos falou da sala tátil, onde os deficientes visuais podem tocar as obras e do material educativo em braile que está a disposição deste público especial.
Com certeza esta foi a experiência mais voltada pra educação que tivemos no curso até agora, vale a pena pesquisar o trabalho da Mila e dos teóricos citados por ela durante a palestra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário