domingo, 23 de maio de 2010

Instituto Tomie Ohtake (Camila)

O Instituto Tomie Ohtake está em um prédio bastante imponente na parte baixa de pinheiros bem perto do largo da batata, num local de relativa facilidade de acesso (pelo menos em termos de transporte). É um prédio um tanto quanto estranho na paisagem, o que talvez confira um certo distanciamento entre as pessoas que circulam na região e a própria instituição.

Com relação à visita em si e ao educativo, o acolhimento foi numa das salas do educativo onde as duas educadoras se apresentaram, a Julia e a Helenira (não tenho certeza se é esse mesmo o nome, eu sou meio surda então sabe como é...) e com a ajuda de um Power Point apresentaram a instituição e os programas desenvolvidos.

O Instituto Tomie Ohtake foi inaugurado em 2001 como uma instituição de arte contemporânea que recebe e produz exposições temporárias (alias, o instituto não tem um acervo, e por esse motivo não configura como museu) de acesso gratuito.
Os projetos de ação educativa estão primeiramente divididos em projetos especiais e projetos permanentes; também são produzidas publicações e seminários. A maioria dos projetos educacionais permanentes visam a formação de educadores através da vivencia com a arte.

Nesse acolhimento não foram dadas regras para a visitação, ou nenhum outro tipo de acordo (acho que elas partiram do principio que nós já sabíamos as “regras de comportamento” em exposições). Daí partimos para as duas exposições que estavam disponíveis: a “Ostengruppe, cartazes russos contemporâneos”. A educadora que ficou com o nosso grupo, a Helenira, primeiramente deixou o grupo livre para olhar e depois reuniu todos para a discussão, que passou pela temática do design, dos grafismos, e principalmente numa comparação com os cartazes brasileiros relativos a exposições culturais (como os da exposição). Para a discussão dos trabalhos a educadora escolheu dois cartazes em cada sala, e o grupo partiu deles para o debate. A educadora parecia ter bastante conhecimento com relação à exposição mas acho que ela deu bastante liberdade para os debates e respondia as perguntas acrescentando algumas informações que não estavam dadas.

Fomos então para a expo “Visionaire para todos os sentidos” na qual estavam presentes os 50 primeiros números dessa revista americana que tratava principalmente de estética. Nessa exposição não houve nenhuma interferência da educadora (eu pelo menos não peguei nenhuma) e todos ficaram livres para ver sozinhos ou em grupo. Quando saímos dessa expo fizemos uma reunião no hall perto das salas do educacional. O grupo debateu sobre o caráter fetichista da exposição, alguns tomaram a revista como vazia de um conteúdo para além da exploração da estética, o que invalidaria ou não a revista, e a conversa no geral se desenrolou em torno dessas questões.

Depois de tudo isso tivemos uma atividade de atelier relacionada com a expo da Visionaire, na qual o grupo se dividiu em três e foram sorteadas três palavras para basearmos nossas produções: Luz, Ácido e Fama. Essa foi a única interferência da educadora que deixou todos livres para trabalhar. Ao que todos terminaram cada um explicou o seu trabalho. Isso foi uma espécie de fechamento, onde no final a educadora explicou a importância do atelier como um espaço de desenvolvimento da criatividade aflorada pelas exposições e uma oportunidade de contato com a produção artística e suas implicações. No geral eu achei a visita muito boa, a educadora sempre esteve como facilitadora dos debates e levantou novas questões para o grupo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paço das Artes / Mac (Nina)

Quarta-feira chuvosa e o grupo oito transporta-se à longínqua USP para podermos conhecer o Paço das Artes e posteriormente o MAC.

O Paço das Artes encontra-se em uma das ruas principais da Cidade Universitária, logo após o Portão 1, o que de certa forma é um facilitador já que a maioria dos ônibus entram por esse portão e já que uma vez lá dentro fica fácil localizá-lo. Isso não muda a dificuldade de chegar na Cidade Universitária em si, o local é afastado do centro da cidade, sem nenhum metrô nas proximidades, tornando-se um desafio alcançá-la em horários de trânsito intenso.
Como comentado em grupo, a fachada do Paço é escura e pouco convidativa, principalmente por encontrar-se ao lado de construções abandonadas. O local é um tanto morto, não só pela aparência, mas também por ser um local com pouca circulação de pedestres. A instituição não tem vínculos com a USP, e acredito que sua posição física na Cidade Universitária demonstra também essa segregação.

O educador que acompanhou nosso grupo chamava-se Tiago Santinho. Guardamos nossas bolsas em uma sala e ele nos chamou a sentar para que pudéssemos conversar. Primeiramente ele perguntou nossas áreas de estudo para que pudesse ter uma noção do grupo, depois perguntou quem já conhecia o Paço das Artes.

A instituição Paço das Artes encontrava-se inicialmente na Av. Paulista, depois foi para o MIS, onde passou 20 anos. Ambos possuem a mesma administração, apesar de terem propostas bem diferentes. De qualquer maneira, mesmo o Paço estando já há 15 anos na USP, ainda haveria uma confusão da parte do público, entre as duas instituições.

Tiago frisou a importância do acolhimento, no qual o educador deve situar o visitante, já que nem todo espaço cultural é um museu.

Ele afirmou haver semelhanças e até mesmo um diálogo, entre o trabalho realizado no Paço e a Bienal de Artes, e que tentaria abordar esses aspectos.
O educativo do Paço foi recentemente reformado. Uma das modificações é que agora os educadores são contratados, o que melhora a qualidade do trabalho. Os funcionários criam vínculos com a instituição e passam a ver os resultados do seu trabalho, que deixa de ser algo isolado e passageiro. Principalmente no Paço das Artes, dada a dificuldade de acesso e o caráter específico das exposições, que tratarei a seguir, o educativo tem papel fundamental, segundo Tiago, até mesmo de justificar a razão de ser do espaço. Visitamos dois espaços do educativo: o Cubo Branco, usado normalmente para o acolhimento, principalmente com crianças e adolescentes, o espaço tem paredes brancas, pufes e lousas, onde os visitantes teriam um momento só para eles, para relaxar, desenhar ou escrever na lousa; o outro espaço é uma sala com um telão e uma câmera de vídeo, onde os visitantes teriam um momento de interagir e de realizar ali suas próprias produções.

Tiago afirmou que busca em suas visitas uma mediação mais horizontal e menos burocrática. Ou seja, não só evita fazer uso de conceitos e categorias na mediação, como evita fazer uso da própria palavra ‘arte’, que segundo ele já traria uma carga muito grande consigo. O processo de formação deve ser metalingüístico, evocando também o repertório do próprio visitante. Suas visitas não têm roteiro, ele utiliza o primeiro contato com o grupo para senti-lo, e ver o que melhor se adequa a ele: a linguagem a ser usada, as salas a serem ocupadas, atividades a serem realizadas, entre outros. Nesse sentido haveria uma liberdade e até mesmo um incentivo da parte dos coordenadores do educativo que acreditam na idéia do educador também como um artista.

O Paço das Artes foi definido como um espaço para experimentação, uma plataforma para novos artistas. Além de um espaço expositivo, seria um espaço de discussão, já que não se volta a artistas já consagrados. A “coluna vertebral” da casa é a Temporada de Projetos, quando qualquer pessoa pode mandar seu projeto, que será submetido a uma banca avaliadora, podendo vir a ser exposto ou não. Os artistas selecionados, além de auxílio financeiro, recebem acompanhamento durante um ano, dão palestras, entrevistas e têm seus trabalhos divulgados através de publicações bilíngües. Além disso, o artista pode escolher um crítico para avaliar suas obras, o que consiste numa busca por sair de um circuito fechado e muitas vezes viciado. O espaço recebe também projetos de curadores, que quando aceitos realizam a curadoria de exposições no Paço.

No referente às obras, começamos pelo lado de fora vendo o jardim montado com zíperes por Zamproni, discutiu-se a questão da naturalização do espaço e como o educador deve proceder no sentido de evitar que as pessoas toquem ou danifiquem as obras visitadas. Já do lado de dentro, vimos uma instalação com vídeo de Rick Castro, onde as pessoas teriam a oportunidade de “abravanar”. Os outros artistas expostos eram Nino Cais, Bianca Tomazelli, Gisele Camargo, Ana Holk, e Maria Laet, pelos quais passamos mais rapidamente. Poucas explicações foram dadas e no final houve um espaço para questões gerais.

Já no Museu de Arte Contemporânea, também na Cidade Universitária, mas em região bem mais central, o que dificulta um pouco o acesso, mas mostra a ligação e envolvimento da instituição com a Universidade, fomos recebidos pela educadora Silvia, que logo nos levou a um auditório para assistirmos a uma apresentação em Power Point sobre o MAC.

A apresentação abordava sobretudo os programas educacionais oferecidos pelo MAC e organizados pela DTCEA (Divisão Técnico-Científica em Educação e Arte), por ter sido passada muito rapidamente, pouco foi apreendido sobre seu conteúdo. Colocarei somente o nome dos programas que consegui anotar: Encontros Contemporâneos, Inter-arte, Encontro com crianças, Encontro com terceira idade, MEL (Museu, Educação e Lúdico), Poéticas visuais em interação e Viva arte!.

Com o final da apresentação, Silvia falou da importância de nós, possíveis futuros educadores da Bienal, conhecermos a arte moderna. Sim, apesar de chamar-se Museu de Arte Contemporânea, o acervo do MAC constitui-se primordialmente de obras modernas, inclusive muitas obras de destaque internacional que chegaram até ali por meio da própria Bienal de Artes de São Paulo. Segundo Silvia, a arte moderna é essencial para que possamos compreender a arte contemporânea, já que a última teria se apropriado de certa forma do discurso da primeira. Os anos 60, momento da contra-cultura, seria também o momento do experimentalismo, não haveria mais suporte pré-determinado para as obras, um material específico.

Fomos levados então à exposição Entre Atos 1964/68, que nos mostraria justamente essa arte moderna produzida na época da ditadura e com forte conotação política. Antes de começar a visita, Silvia nos falou rapidamente sobre a necessidade do educativo possuir um discurso que se adeque e sensibilize o público. Este deveria ter no museu um momento de recolhimento e calmaria. O educador deve saber quando falar, de acordo com Silvia. Após esse momento, ela nos conduziu a algumas obras e as interpretou para nós, dando explicações que julgava pertinentes. Ao final da visita um debate foi levantado sobre a ligação da arte com o mercado econômico, e as possíveis conseqüências dessa ligação, como uma crescente elitização da arte.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Andy Warhol II (André)

Quando fomos pela segunda vez à Estação Pinacoteca para ver a exposição de Andy Warhol, chamada de "Andy Warhol: Mr. América", nós tivemos maior liberdade para abstrair e usufruir do material que estava sendo exposto, graças ao maior período de tempo que nos foi dado para olhar os trabalhos. Apesar de não estarmos acompanhados de um educador, a visita me pareceu bem produtiva e reflexiva para todo o grupo.

A divisão das obras nos espaços acompanhava alguma lógica de temas. Havia o espaço que falava sobre a morte, com as obras "Little Eletric Chair" (Cadeiras Elétricas) e "Suicide" (Suicídio), além da área que tratava o socialismo, que aparentemente teve uma intervenção talvez arriscada da curadoria da Pinacoteca (porém me pareceu funcionar), com a inserção da obra "Cow Wallpaper" (Papel de Parede de Vaca) nessa área. Havia também uma obra específica que eu gostaria de destacar que era "Silver Clouds" (Nuvens de Prata), que era uma das obras mais experimentais de Andy, além de " Cow Wallpaper", e, na minha visão, não tinha funcionado muito bem, talvez pela disposição do espaço ou pelo posicionamento dos ventiladores, pois tive a impressão que os balões que representavam as nuvens pareciam não se movimentar pelo espaço como deveriam.

Quando começamos a analizar as obras de forma mais pormenorizada, percebi que foi aí iniciada uma discussão entre o grupo muito voltada para questões como: se Warhol pretendia fazer uma crítica séria à sociedade norte-americana, com os discursos inseridos em suas obras sobre o poder da imagem, o apelo da propaganda de criar o ideal de personalidade e o desgaste que existe no uso dessas imagens, ou se era uma simples caricaturização da cultura norte-americana com suas cores berrantes e chamativas ou, ainda, se o que ele fazia com as suas obras era propositalmente contraditório e irônico (incluindo aí o tratamanto que Andy dá para o socialismo, que dá a impressão de similitude com o capitalismo norte-americano com relação à imagem e a sua repetição), além de suas respostas (ou pseudo-respostas) com relação a essas constantes dúvidas que surgiram e eram debatidas já na época em que Andy ainda era vivo.
Minha impressão final foi que toda essa contrariedade sentida nas obras de Andy Warhol, tanto com relação às suas intenções quanto às respostas dele às dúvidas que as pessoas tinham, revelavam talvez que suas obras se utilizavam e muito de metáforas nietzianas e que tudo isso era uma provocação proposital.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Encontro teórico 3 (Jean)

Esse é um texto com impressões/reflexões/questões de um dos encontros do grupo oito. Início da manhã: depoimentos sobre o encontro anterior. Relatos sobre a gratificante experiência de ver e discutir aspectos da história de algo que comumente chamamos “arte”. Pensa-se, então, que nos aproximamos de uma compreensão maior sobre o que esse algo possa ser. Contudo, alguns se questionam: - Mas tudo o que um artista faz é arte? Nos seria interessante perguntar também por quem faz o artista? Não pode ser ele e seus trabalhos uma construção de um dado contexto histórico? Para pensar atualmente em arte não valeria pensar em mundo da arte? Uma recorrência que notamos: discutimos insistentemente trabalhos sob o signo da arte – muita vez vendo-a como algo autônomo. De um paralelo com a utilidade da ciência, uma aporia: - Para que serve a arte?

Tem início uma discussão sobre como fazer nosso percurso do dia seguinte, na Pinacoteca, pelo Andy Warhol. Improviso? Espontaneidade? Organicidade? Script? – Decidir na hora o que se deve abordar dá merda! Então seria necessário algo como um roteiro de segurança, esboçando nele propostas e temas a abordar com possíveis visitantes? Tocar então nos temas/motivos/assuntos/referentes de tal figuração; na reprodutibilidade do trabalho e da imagem, na divisão da feitura de um trabalho (na factory); na auto-referência da “arte”; - na necessidade de não descolar técnica e assunto/poética; em como fazer tal abordagem com crianças – do que falar com elas? Como falar? Adequando conteúdo e linguagem? Isso, simplesmente? E se a fruição/conversa partisse de uma descrição da imagem e das relações entre cores e formas, algo que nos aproximaria paulatinamente – iria dizer organicamente - de questões que nos tocam mais o interesse, mas que talvez não importe de nada aos pequenos visitantes? Começar a visita com as “Marilyns” não poderia ser um obstáculo para um visitante mais jovem, posto que teria que saber/imaginar/lembrar quem ela seja? Isso não o distanciaria da obra para buscar algo na história, na “cultura” – algo que possivelmente devesse ser dito por nós? Verticalidade? E se ao invés, antes de começar por essa espécie de paradigma da indústria cultural/cultura de massas, começássemos por algo, digamos, mais neutro, como pelas vaquinhas que forram toda uma sala? Enquanto postura – falar ou não de uma proposição crítica do trabalho de Warhol? Até que ponto podemos estar não apenas induzindo a visão de alguém ou mesmo falando bobagens sem nexo com a obra? Falar ou não de um vínculo ético entre trabalho e vida? A fala e vida do artista deve guiar a interpretação de seus trabalhos?

Concreto por todos os lados. Reiniciamos nossa viagem por uma breve história da pintura. Inicialmente: Mira Schendel. O universo sensível não nos abandona. Insistimos em ver/encontrar representações/imagens espelho do mundo “exterior”. Como parece difícil suspendermos o juízo por um minuto e apenas não pensar. Iniciamos uma investigação sobre a perspectiva ali presente. Ela apontaria para o surgimento de um “indivíduo moderno”, denotando algo como uma visão “pessoal”, uma moral ligada a determinada estrutura social e seu modo/ideologia de vida? A isso se segue uma discussão entorno da forma, contrapondo uma proposta de figuração modernista de artistas brasileiros que importa certa forma e “inova” nos motivos/assuntos a uma noção de forma difícil presente em Mira Schendel. Começamos a nos deixar afetar, passado um minuto, o pensamento se atiça. Uma miríade de interpretações reverberam pelo ar. Finalmente um pouco mais abertos, o trabalho nos vara. Uma descrição leva a pensar, por semelhança, num possível signo japonês. O que pensar, diante de uma artista que em outros trabalhos demonstrara tanta delicadeza e agora, aparentemente, irrompe em pinceladas (?) tão impetuosas e convulsas? Gesto gratuito? Possível signo japonês de ponta cabeça – coincidência? Talvez não. Diante da palavra, a representação imagética pode evanescer, em vista do peso que damos a ela – ou seria o contrário? Por ela justifica-se teorias científicas. Nela, na palavra que pode ser de honra, amiúde confiamos. No trabalho que vimos de Mira, vemos um signo atuando como letra/palavra e imagem, numa espécie de embaralhamento. Mas por que raios de ponta cabeça? Como interpretar tal trabalho? Diante da descaracterização do símbolo ela estaria nos sugerindo apenas uma fruição sensível e não moral/intelectual? Estaria ela dizendo – não leia – deixe afetar/sensibilizar!? “Os signos exercem poder em nome de quem deles dispõe e os distribui, mas as imagens exercem poder já a partir de sua própria força e do empréstimo que elas fazem da realidade”(BELTING). Haveria então relações de preponderância?

Ânsia? Tontura? Sensação estranha – um certo desconforto nos ronda. Baselitz – alguma perplexidade. Início de conversa – campo fecundo -, incorpora e desdobra outros assuntos – alguns, um pouco distantes do que vemos, mas não menos interessantes – loucurinhas - Brasília. Baselitz e Brasília? Inusitado, mas muito legal. Técnica, a visão e cognição do mundo – eis alguns dos temas tocados.

Uma bofetada, mais uma: Kiefer. Mas que mão leve, parece que acaricia. O mundo “exterior”, frequentemente, é buscado na pintura. Quando de fato estamos diante, incrédulos, titubeamos. Os materiais e a poética do trabalho nos leva a pensar nas possibilidades de sua conservação.

De repente: Nuno Ramos. Elementos estranhos fixados em algo como uma tela ou sei lá o que - eles nos acenam e nos inquirem sobre sua procedência. Entramos na dança. Pintura expandida? Nuno diz fazer pintura – o que fazer, acatar? Desconfiar? Enfrentar? Discordar? Intempestivo, em meio ao sol da manhã, um trovão: - Por que isso pode ser considerado arte? Os trabalhos que vemos, nos levam a consideração de que pintura não é apenas busca por beleza – ela tem outros valores; que ela não precisa ter motivo/assunto. Outra questão que nos embate com uma história da pintura: a tridimensionalidade. Sorrateira, uma informação: Nuno tem certa idéia para seu trabalho na Bienal. No entanto, a instituição lhe põe barreiras/limites, querendo submetê-lo. – O que é arte? O artista tem a idéia/proposta, mas um alguém não aceita. A idéia corre o risco de se dobrar. Quem diz o que é arte? Em que momento a idéia ganha tal estatuto? É possível falar em “arte” fora do âmbito institucional? Isso faz algum sentido?

Gerhard Richter. Sua técnica ascende como postura/proposição diante da fotografia. – Uma pintura com foco? .(silêncio). Suas pinturas, imbuídas de declarado hiper-realismo estariam a apontar para um confronto com a reprodutibilidade da imagem fotográfica? Que espessura pode ter tal hiper-realismo? .(decepção). Algum desânimo: Richter – pintura não objetual. Tanto desânimo, para quê? “Somos rápidos em criticar as imagens porque elas mentem, algo que nós não lhes perdoamos. Porque nelas procuramos provas daquilo que queremos ver com os nossos próprios olhos.”1 Mas antes da repulsa, uma vez mais, que tal suspender o juízo, ver, afetar-se, pensar, lembrar? Imagem, outrora, hiper-realista – denotando assim uma espécie de proximidade com a fotografia, possível modo de registro. Eis que, em algum tempo, ele pinta e depois borra – pinta por cima. A imagem/pintura supostamente figurativa que antecede o resultado final ganha um caráter efêmero. Isso que se dá no processo/decorrer de tal nova fase de sua plástica, o que antecede (talvez uma figura) o resultado final, é registrado apenas em um lugar: sua mente. Como reprodutibilizar o inconsciente? Besteira? Talvez.

Daniel Senise. Técnica que se repete. Produtos nos tacos que marcam a tela. Uma atmosfera/superfície com a aparência envelhecida.

Adriana Varejão.(Alguma repulsa e rejeição). A maioria do grupo atribui ao trabalho certa literalidade.

Paula Rego. (certa admiração e, uma vez mais, perplexidade). Relações com sketches – quadrinhos.

Jeff Koons. - O que torna seu trabalho arte? – Aparentemente, o resultado não têm a marca do artista, diferentemente, nesse sentido, de outro artista que trabalhava com idéias possivelmente aproximadas – Andy Warhol. – Onde está o gesto do artista? Na proposição? .(alguma revolta). O artista não põe a mão no trabalho, mas o pensamento. Utilizando-se de imagens publicitárias faz sua “arte”. –Ele propõe uma discussão legal – será que ele pensa em tal discussão?( Novamente – ele é “crítico”?) Apenas isso faz dele artista? Por que não se expressar de outro modo? (dum outro extremo:) – Mas ele escolhe a linguagem, escolhe se expressar artisticamente. E ...?

On-Kawara. – Não há criatividade. – Por que ele não faz tais trabalhos num caderninho e guarda para si?Qual a necessidade de expor tais trabalhos? – A discussão que ele propõe é fraca. (alguém pontua:) – Mas vários desses quadros, numa galeria, detonam outros sentidos. – Isso é “arte”! (será tão claro assim? Antes pensar no que pode ser arte ou não, teriam assuntos a serem debatidos a partir dos trabalhos que independam de seu caráter presumivelmente artístico?) (adição ao coro:) – O processo tem gigantesca relevância. Onde paira o gesto em seus trabalhos?Podemos vê-los como uma pesquisa sobre as formas e as cores? Teriam eles uma dimensão conceitual que se sobrepõe a própria visualidade em importância? Ou seria apenas um ato manifesto de uma ética/ ofício, quase que rotina de concentração e meditação, revelando-se em certa “simplicidade”? . (uma vez mais). - Novo questionamento sobre a própria história da arte ou sobre a própria espessura do sentido de pintar?

Roman Opalka -(1234567891011121314151617181920212223242526272829303132333435363738394041424344454647484950) – “All my work is a single thing, the description from number one to infinity. A single thing, a single life “. Possibilidades de mediação. Como inserir Opalka num roteiro de visita? Como falar em técnica diante de seu trabalho? Quais as exigências e condições que se impõe no trato de trabalhos ditos conceituais?

Pouco a pouco, a “arte” passa a ser vista no domínio institucional/convencional. (Alguém diz) - O quadro/objeto ao fim, “finalizado”, em exposição, nem de longe abarca o pensamento/intenção do artista.Mas ao mesmo tempo há quem pense e fundamente - a obra supera a intenção (R. Kraus). Aonde então buscar uma compreensão maior acerca de um trabalho? Nos trabalhos que o antecedem? Na pura visualidade? Na história do artista? Na nossa “cultura globalizada”? Na “cultura regional” donde procede? Na história da arte? Como fazer tal investigação e falar sobre um trabalho sem deturpá-lo? Ele tem limites de interpretação?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lasar Segall (Lívia)

A visita de hoje, 13 de Maio, foi no Museu Lasar Segall que se encontra no bairro da Vila Mariana em uma ruazinha bem agradável em que possuem várias casas semelhantes e o Museu por também ser uma “casa” parece fazer parte daquela rua de forma natural.

A primeira parte da visita foi o acolhimento, em que a educadora Branca apresentou as outras pessoas participantes do educativo, além de contar um pouco da história do Museu, que o lugar era a casa do artista e do lado era a de seu filho. Explicou que as obras do acervo do artista e algumas partes da casa foram tombadas, enquanto outras tiveram que passar por reformas para poder se tornar um museu. Falou ainda dos outros espaços que o museu possuía, como o cinema, biblioteca, ateliê e que lá também são oferecidas oficinas de fotografia, gravura. Apresentou um pouco do trabalho do educativo, o qual normalmente a monitoria é realizada em várias etapas para se tratar de um mesmo assunto, que este é específico de acordo com cada público recebido e que sempre são elaborados novos roteiros de acordo com as exposições temporárias.

A segunda parte da visita foi feita no Jardim e a atividade proposta era de que todos pegassem uma frase aleatória e a continuassem, no meu caso foi... Se você fosse uma maçã você seria... Suculenta (minha resposta)! Achei bem interessante essa atividade, pois todas as pessoas participaram, foi um momento de descontração e de aproximação do educador com nós, os visitantes. Após essa atividade, foram expostas as recomendações para o andamento da atividade, as regras.

A próxima etapa ocorreu no espaço expositivo do acervo Lasar Segall e a atividade proposta era para que fosse escolhida uma obra dentre as que já estavam relacionadas pelos educadores a um objeto ou obra presente no material educativo da Bienal. Após isso, era para as pessoas que se identificaram com a mesma obra, discutissem quais poderiam ser a relação entre elas.

Algumas questões levantadas em cada grupo:

1° - Relação da Obra “Navio de Emigrantes” e o trabalho de Lygia Pape. A discussão do coletivo; o retrato do sofrimento; o indivíduo como parte do todo, presente nas duas obras; por que as duas obras se relacionam com o viver, no primeiro a busca de uma nova vida, o emigrar; o que representa o pano branco da performance só com as cabeças das crianças para fora, que talvez significaria o romper.

2° - O trabalho do Cildo e a escultura. Foi abordado o pensar no corpo; os arquétipos do masculino e feminino; a relação da dominação do homem sobre a mulher; a prostituição; as diferenças do modo de ver cada uma das obras, a do Cildo só possuir sentido se for compreendido o período histórico, a questão de ser circulado no mercado; a obra que foi até o público, enquanto a escultura poderia abrir a discussão para vários tipos de abordagem. A partir disso, foi questionado se é possível analisar uma obra de arte por ela mesma, sem pensar na questão política, na arte autônoma.

3° - Quadro e a cadeira. As discussões colocadas foram que as duas são representações da natureza; a linguagem da arte, em que a cadeira poderia ser um objeto de arte, no entanto, passou a ser um objeto utilitário e ser vista como tal.

4° - “Auto-retrato” e “A procisão”. Os pontos de vista foram que a segunda obra evidencia a realidade para afirmar algo, como a crítica em relação ao comportamento das pessoas diante de uma obra de arte no Museu, o por que delas estarem lá, se realmente contemplam as obras, querem ser vistas ou por uma pressão social? Já o auto-retrato, foi colocado a importância do local em que ele se encontrava, que era em um lugar de passagem e ao contrário de “A procisão” não parecia estar preocupado com a proximidade da realidade.

5° - A maçã e o quadro. Foram feitas várias suposições do que estava retratado no quadro; se eram fantasmas criados pelo personagem central do quadro; se o mesmo poderia ser o opressor de todos os outros; já a relação com a maça era que os personagens do quadro poderiam ser os “frutos” da Guerra; a questão da fome pós guerra; o pintor colocar em vários quadros a questão das pessoas em situação de vítimas. .

A última atividade foi o fechamento que ocorreu no auditório. Nesta etapa a educadora colocou em questão o quê o grupo sentiu nas experiências, se elas se relacionaram. Além disso, foi exposto o trabalho da instituição que segundo ela está baseado nas:

Tipologia de visitas:
- Visita palestra
- Discussão dirigida
- Descoberta orientada

Além dos níveis de desenvolvimento estético, que ajudam na estruturação da visita, no autoquestionamento de como estou conduzindo o público, se poderia abordar de outra forma, se o percurso e a participação do público está se dando de maneira orgânica.

Os Programas oferecidos pelo Museu:
- Museu Escola
- Museu Família
- Museu Comunidade

Todos os programas são avaliados constantemente por meio de pesquisa para validar ou não a sua efetividade e se for o caso há readequações. Os últimos estudos do educativo para readequação da linguagem se concentraram nos seguintes autores:

Em educação:
- Imanol Aguirre
- Bernard Darras
- John Devey
- Jorge Larrosa

Em teoria da Arte:
- Arthur Danto
- Giulio Carlo Argan

As referências bibliográficas que estão relacionadas ao tema da visita:

Arte e Vida
- Mario Pedrosa
- Hélio Oiticica (olhar site do Itaú Cultural)

Arte e Política
- Miguel Chaia
- Aracy Amaral

Linguagem da Arte
- Arthur Danto
- Argan
- Paulo Freire

Na minha opinião, as educadoras que nos acompanharam foram muito simpáticas, estavam dispostas a questionamentos, propuseram o debate e o organizaram bem. Além disso, propiciaram várias atividades importantes para a nossa formação, principalmente o de ter que relacionar as obras. A educadora Branca respondia com propriedade sobre os assuntos perguntados e conseguiu manter bem o andamento das atividades programadas. No momento da visita só estavam os dois grupos da Bienal e a atividade realizada no acervo do Lasar Segall estava de acordo com os interesses dos grupos, ou seja, foi realizado atendimento específico.

Em relação à estrutura do museu, à sua frente possuía vaga de estacionamento para pessoa deficiente, no entanto, a acessibilidade do local para cadeirantes é muito difícil, pois há várias portas estreitas e escadas no local de exposição do museu. Não vi e nem foi falado sobre algum tipo de diferenciação de visita para o público com deficiência auditiva e visual.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

MAM (Marianne)

Situado no mais importante parque da cidade, o Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM está localizado entre o Pavilhão da Bienal e a Oca, em um conjunto projetado por Oscar Niemeyer na década de 50. Apesar de haver sido fundado em 1948 pelo empresário Francisco Matarazzo, é apenas em 1969 que o MAM passa a ocupar o Ibirapuera, após uma reforma do edifício realizada por Lina Bo Bardi.

Este contexto histórico do museu foi um dos tópicos abordados na breve apresentação da educadora Diana que deu início à nossa visita no começo da manhã. Além disso, falou-se sobre o acervo do MAM que, a despeito do nome, reúne sim uma coleção de obras de arte contemporânea – e não moderna. Com um acervo de mais de cinco mil obras, o museu conta com uma coleção bastante diversificada de pinturas, esculturas, fotografias, performances e, dentro de suas últimas aquisições, destaca-se a entrada do museu que agora conta com uma parede que abriga o colorido universo criado pelos grafiteiros OsGemeos. A apresentação seguiu-se por um bate-papo - realizado dentro da própria exposição que seria em seguida visitada pelo grupo - no qual foram aprofundadas questões e dúvidas a respeito da ação educativa no MAM.

Criado em 1998, o setor Educativo conta com três educadores permanentes, além de uma equipe de colaboradores e estagiários. Segundo Diana, ele está intimamente ligado à curadoria do museu, e tem como missão a formação do público e a construção do conhecimento. Com o objetivo de “despertar a sensibilidade do visitante e auxiliá-lo em seu processo de interpretação e reflexão sobre arte”, o Educativo conta com uma série de programas e parcerias, focados em atividades práticas. Além de o museu proporcionar encontros com professores e universitários (“Contados com a arte”), destaca-se o programa “Igual, diferente”, com foco em visitas para perfis específicos de público (como deficientes visuais e auditivos) e a iniciativa “Escolas Parceiras”, que tem como objetivo articular a programação do MAM com o calendário pedagógico das instituições de ensino. Cabe aqui citar a organização da Curadoria no sentido de elaborar um calendário bastante específico a respeito das exposições que ocuparão o museu com muitos meses de antecedência, estabelecendo assim um diálogo mais sintonizado com as escolas.

No que se refere às visitas educativas, Diana destacou três perfis diferentes que, apesar da divisão, se articulam e dialogam entre si, a saber: “visitas mediadas” (focadas sobretudo em uma interação maior com o público, através de conversas e discussões); “busca orientada” (na qual o grupo deve “procurar” um elemento específico na exposição, privilegiando uma idéia de autonomia); e por fim, “visitas-palestra.” Em relação ao acolhimento do grupo, a educadora contou que este normalmente é realizado na área externa do museu, aproveitando o Jardim das Esculturas, projeto de Burle Marx que reúne cerca de 30 obras pertencentes ao acervo do MAM. Esse momento é então fundamental para estabelecer um primeiro contato com o grupo, conhecendo-o um pouco melhor, e ainda é quando se é possível delimitar regras, explicar como se dará a visita e, ainda, acessar o professor. Após esse momento, tem-se o desenvolvimento seguido de uma conclusão da visita, sendo que existem atividades práticas a serem propostas entre esses três períodos.

Após esse bate-papo com a educadora do MAM, seguimos então com a visita propriamente dita à exposição do artista Flávio de Carvalho. É importante ressaltar que esta foi a primeira visita do grupo feita de forma realmente “livre” a uma exposição, no sentido de que não houve acompanhamento de nenhum educador, nem palestras sobre o tema ou artista. Além disso, cada um pôde realizar a visita de forma autônoma, tendo sido combinado um horário para o reencontro do grupo.

Com essa proposta, fomos instigados a focar, durante a visita, especialmente em estratégias de observação, pensando o espaço da exposição, a disposição das obras, o tempo para visita, entre outros aspectos. Flávio de Carvalho é um nome fundamental para a arte contemporânea, já que suas obras têm, até hoje, repercussão no cenário artístico brasileiro e do mundo. Este artista que era pintor, escritor, arquiteto, ilustrador e cenógrafo tem, nesta exposição, uma curadoria que propõe, seguindo uma linha temporal, um cruzamento de leituras dessa obra, permitindo vislumbrar as múltiplas atividades que ele realizava simultaneamente ao longo de sua trajetória. Através de uma variedade de desenhos, pinturas, projetos, fotografias, textos e filmes, o visitante entra em contato com uma multiplicidade de temas, desde os projetos arquitetônicos no começo da carreira do artista (final dos anos 20), até seus últimos retratos psicológicos da década de 70.

Se essa amplitude e variedade do legado de Flávio de Carvalho podem impressionar em um sentido positivo, não deixam de trazer também suas contrapartidas. Após a visita individual de cada membro do grupo, discutiu-se a dificuldade com que um visitante pode se deparar diante de um artista de múltiplas “facetas”, em uma exposição que nem sempre articula de maneira clara as obras entre si. Com textos pouco explicativos, aquele que não domina a obra do artista pode sentir-se perdido, “solto”, sem um fio condutor que oriente a visita. É verdade que a exposição apresenta uma narrativa da trajetória de vida de Flávio de Carvalho, porém tem-se a impressão que não se prioriza a questão do “processo”, fundamental para compreender a obra de qualquer artista contemporâneo. Nesse sentido, o grupo discutiu brevemente essa idéia da arte como um processo – e nesse ponto é possível fazer um paralelo importante com nosso trabalho na Bienal. A questão do porquê de se expor o trabalho de um artista em detrimento de outro, quando aparentemente a obra não apresenta algo essencialmente inovador ou único, ou ainda do porquê de se expor especificamente aquela obra e não outra, muitas vezes pode ser compreendida a partir da importância daquele trabalho enquanto parte de um processo, de sua relação com algo maior. Em contrapartida, é importante um cuidado para não reduzir a explicação a esta única variável, enfraquecendo assim o potencial que uma obra é capaz de carregar em si, a despeito de sua relação com o externo.

Falamos brevemente a respeito do “direito” do público de não se identificar com determinada obra ou artista. Não há problemas nessa posição, muito pelo contrário, desde que este “não gostar” seja construído a partir de um olhar crítico e consciente. Por fim, diante da relação muito próxima que o Educativo do MAM estabelece com a Curadoria do museu, colocou-se a questão de quais são as perdas e ganhos nesta relação, a ser discutida em um próximo encontro.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Museu da Casa Brasileira (Juliana Silva)

No dia 11 de maio o grupo 8 visitou o Museu da Casa Brasileira. Localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o local é de fácil acesso tanto por transporte público quanto de carro. Uma grande casa amarela que data da década de 1940 abriga desde 1972 o museu e, no andar superior, uma instituição particular da família Prado, a quem pertencia a casa anteriormente.

Logo quando chegamos, fomos levados para um jardim na parte de trás da casa e recebemos dos educadores Ingrid e Daniel, as primeiras instruções e informações sobre o lugar e como se daria a visita. O acolhimento foi feito junto com o outro grupo da Bienal e os dois educadores do MCB dividiram a apresentação.

Os monitores começaram falando sobre o que poderíamos esperar daquela instituição e que tipos de objetos se encontram por lá, como móveis e outras peças que preservam a memória da vida privada. Além disto, segundo eles, o museu discute também temas pertinentes a arquitetura e design.

Nosso grupo realizou primeiro a visita no térreo e depois conheceu a fundação, fomos acompanhados pelo educador Daniel, que nos explicou que o esquema da visita seria o mesmo que geralmente é feito com várias turmas, com o diferencial que também teríamos uma meta-visita na qual seriam evidenciados temas pertinentes à prática da monitoria em museus e possíveis abordagens com diferentes grupos.

Foi possível notar a existência de um fio condutor na visita, o educador nos conduziu pelas peças do museu, distribuídas conforme a utilidade, e elegeu as que julgou mais interessantes para algumas discussões. A escolha do percurso não foi necessariamente fixa e quando o grupo demonstrou interesse por um objeto que não seria observado, o trajeto foi brevemente alterado e a peça de interesse do grupo pôde ser discutida.

Ao longo do percurso foram levantadas varias discussões, vale destacar que estas se originaram a partir das perguntas e proposições que nos eram feitas pelo educador, o que também nos possibilitou questionamentos quanto à criação de viés para respostas e para a discussão. Por outro lado, também foi conversado sobre a necessidade de se criar um discurso vinculado ao grupo e que a discussão deve ser baseada nas respostas que são dadas. (O monitor ficou surpreso com a resposta do Felix quando apresentava o banquinho indígena e teve que trabalhar com a possibilidade que lhe foi apresentada).

As discussões ao longo da visita passaram rapidamente pelas idéias de público e privado -armário e guarda-roupas-, construção de uma identidade nacional, idealização do índio, etc -rede -, a importância do meio do processo e do educador como mediador – batedeira - e, na fundação, a discussão girou em torno da construção de uma memória e de um discurso.

Segundo o educador, o público que visita o museu é muito variado e costumam haver temporadas de grupos que freqüentam mais em determinadas épocas. Algumas vezes o museu é mais freqüentado por ONGs e outras instituições similares, em outros períodos por escolas e em outros por grupos com necessidades especiais.

O MCB atualmente possui uma parecia com as escolas estaduais e tem recebido, na maioria das vezes, crianças de terceira e quarta série e adolescentes de sétima e oitava. Com as crianças juntamente com o programa das escolas geralmente o tema trabalhado são os “objetos que possuem história” já com os adolescentes de sétima e oitava série as discussões costumam passar por temas como “memória e a construção desta”.

Após a visita, houve uma reunião com os dois grupos e nos foi proposta uma dinâmica. Pediram para que estes grupos se subdividissem em seis menores e, cada um elaborasse uma visita monitorada voltada para um tipo especifico de público. Os tipos de público propostos para que pensássemos as visitas foram: universitários não participativos e que buscavam conhecimento especializado; jovens detidos e em processo de reinserção social; grupos com algum tipo de deficiência mental; ONGs de comunidades carentes que trabalham com reciclagem; adolescentes de sétima e oitava série, e crianças de terceira e quarta série que vão pela primeira vez a um museu.

Novamente foi trazida a questão de se construir a visita juntamente com o grupo que está presente no momento. Os tipos de acolhimento e monitoria propostos foram diferentes para cada grupo, em sua maioria visaram aproximar o visitante do museu tentando fazer com que a sua vivência fosse importante para a discussão e que a visita ao museu seja, de fato, uma experiência.

Para os grupos com necessidades especiais foram propostas monitoria e acolhimento que aproximassem o visitante de sua afetividade proporcionando uma experiência mais intensa e agradável. Já para os grupos de reinserção social a proposta passou por aproximar da vivência trazendo conceitos de público e privado e outras noções que estão presentes no dia a dia, mas que não exigissem que falassem muito de suas experiências logo no começo.

Para as crianças foram pensados acolhimentos que passassem uma imagem agradável de um museu e ligassem o que elas veriam na visita com o que vêem fora dela, e pudessem fazer conexões com suas vidas através daquela experiência. O grupo que pensou na visita com comunidades carentes que trabalham com reciclagem e artesanato propôs ligar a visita e a parte da técnica e do fazer artístico para então relacionar com outras questões mais amplas.

Para os universitários de design foi pensada uma visita mais focada nas peças e na arquitetura do local com especificações técnicas e perguntas que pudessem desafiar os estudantes a serem mais participativos. E por fim, para os alunos de sétima e oitava série foi proposta uma monitoria que fizessem perguntas sobre a vivência dos adolescentes e a partir disto ligasse com questões e temas presentes no museu.

O encerramento aconteceu com a apresentação de cada um dos grupos sobre as diferentes formas de monitoria e uma conversa rápida com os educadores sobre cada uma das propostas apresentadas.

Sem dúvida, a visita ao MCB e, em especial, a última parte, que nos permitiu pensar na prática como realizaríamos diferentes tipos de monitoria, foi de grande importância para nossa formação. O nosso simpático grupo 8 dá mais um passo na sua formação de educadores, para um público tão diverso como o da Bienal.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Roteiro de observação

Espaço:
- Onde está situada a instituição? Como ela é?
- Qual é a relação entre a instituição e o entorno e/ou a cidade? (Pense na sua trajetória até a instituição)

Acolhimento:
- Como é feito o acolhimento quando chegamos na instituição?
- Como é feita a apresentação da instituição, do educador e do grupo?
- Quais são e como são feitos os combinados?

Visita:
- Qual é o número de educadores / visitantes?
- Qual é a estrutura da visita? Olhamos os trabalhos antes, conversamos antes, fazemos grupos...?
- Como é feita a escolha do percurso? Ele é definido pelo educador, pelo grupo, ambos?
- Como é o posicionamento físico do educador em relação ao grupo e aos trabalhos observados?
- Existe uma adequação de linguagem e de metodologia com o grupo? E com diferentes públicos?
- O educador demonstra propriedade e segurança?
- Como ele responde às perguntas?
- Como é feita a administração do tempo?
- Existe uma organização, um fio condutor durante a visita? São estabelecidas relações entre as obras?
- Como essa dinâmica utilizada se relaciona com a exposição em foco?

Outras atividades:
- Quais foram as outras atividades que realizamos? Como foram? São específicas para os educadores da Bienal?
- Quais são as outras atividades correntes oferecidas pela instituição? Ateliês, palestras, formação de professores, material educativo, atendimento a publico especial...

Exposição:
- Quais foram as exposições visitadas?
- Como o projeto curatorial se relaciona com as obras, o espaço e o público?
- O que se aprendeu sobre arte (inclusive contemporânea) nessa visita?

Fechamento:
- Houve fechamento? Como foi?
- Houve a possibilidade de visitar outras exposições ou mais espaços da instituição?
- Por fim, qual foi o foco da nossa visita?

Encontro teórico (Leandro)

O grupo hoje se reuniu para discutir algumas questões a respeito da estação Pinacoteca que ainda estavam pendentes, como a relação dos educadores e seu comportamento perante o grupo. Seguindo ainda na discussão a respeito disso, foram abordadas questões relacionadas à monitoria feita através da exposição do Andy Warhol e como o educador se portou perante o grupo, como ele se relacionou e como cadenciou a visita com seus diálogos e interlocuções entre as obras.

Também foram discutidas questões relevantes a respeito do método utilizado pelos educadores na Pinacoteca, como as fichas e cartões que eles levam consigo dentro de bolsas durante a visita monitorada e como eles relacionam a dinâmica com o que foi visto.

Não posso deixar de destacar em como foi importante e relaxante o pic-nic proporcionado hoje. Foi muito bom mesmo! Foi uma ótima atividade coletiva.

Em relação ao roteiro que foi criado em conjunto, vejo que todos apontaram questões muito interessantes para se observar que vão ajudar e proporcionar uma análise melhor de quem for fazer o relatório durante as exposições. Além de serem de interesse mútuo, foi ponderado em cima de questionamentos do ponto de vista do espectador que é importante para um bom desenvolvimento educativo durante nossa estada na bienal.

Já a atividade em grupo com o material do educativo, do qual achei muito interessante por ser bem objetivo e dar atributos para uma leitura aprofundada, foi interessante assim como são as conversas pós-exposições já que proporcionaram uma diversidade de interpretações e questionamentos relacionados à leitura de obra, focando na arte contemporânea.

Creio que a partir desse encontro teórico, todos nós vamos ver e perceber os métodos e as instituições de modo mais crítico, aperfeiçoando assim nossas capacidades como educadores

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pinacoteca (Luara)

Sob o sol gostoso da manhã, conversamos sobre a visita à Caixa Cultural. Todos achamos muito boa a oportunidade de discussão em um grupo onde a variedade de conhecimentos específicos é significativa, mas também percebemos que é preciso estar aberto ao diálogo para aproveitar ao máximo esta oportunidade de compartilhar informações.

Decidimos algumas questões para o encontro teórico, faremos uma troca de bibliografias e daremos prioridade a uma pesquisa introdutória a historia da arte para melhor entender a arte contemporânea e seus conceitos. Isso tudo em um delicioso pic-nic no parque!

A visita começou com uma palestra ministrada por Mila Chiovatto, que está a frente da ação educativa da Pinacoteca e da Estação Pinacoteca, além de estar dando a oficina Experiência Hélio Oiticica acompanhada da artista Geórgea Kyriacakis no Itaú Cultural. Mila iniciou sua fala nos mostrando como o nosso trabalho de educador é invisível porém fundamental dentro de um espaço expositivo, e nos deu a simples tarefa de mudar esse quadro.

Tivemos uma breve explanação sobre museologia. Mila se apoiou nos conceitos da Museóloga Waldisa Russio para nos mostrar a importância da conservação de objetos com significação social. Esses objetos isolados de seu circuito de atividade econômica e inseridos no da arte, tem a responsabilidade e o poder de gerar estudos e discussões sobre política, comportamento e sociedade.

Sendo assim, é por meio da obra de arte e do contexto em que ela foi produzida que se compreende não só a própria arte mas também o mundo. O museu é o agente catalizador e difusor de cultura, e que tem a função social de aguçar e possibilitar uma consciência crítica, ele deve facilitar a ação transformadora do homem.

Entendemos com isto, o quanto é importante sermos capazes de tratar de assuntos além da arte em uma exposição.

Foram apontadas diferenças básicas entre educação formal e a informal como o tempo de contato que se tem com o público e o descompromisso com uma grade curricular. Isso exige uma abordagem de aproximação muito mais delicada, onde a construção conjunta de conhecimento é a melhor opção.

Mila sugere que ao trabalhar uma obra, em especial as contemporâneas, se estimule um exercício de reflexão que se torna um exercício ético, pois a arte é capaz de comportar e se valorizar a cada nova visão que se cria sobre ela, evidenciando a idéia de convivência. Nos foi recomendado também que não fiquemos presos a esquemas e métodos pré-estabelecidos para uma visita e que estejamos abertos para sentir as necessidades do grupo.

Entramos em contato com alguns teóricos considerados importantes dentro das pesquisas sobre educação, a primeira foi Abigail Hausen numa referência a um texto de 1983 onde ela expõe uma pesquisa sobre a percepção e apreensão de imagens por grupos de contextos e faixas etárias distintas. A pesquisadora chegou a classificação de 5 níveis principais de compreensão. (Devemos lembrar que essas classificações podem coexistir e transitar).

Narrativo: normalmente observado em crianças. Para elas, a pintura de uma mulher não é a representação desta, mas sim a própria mulher, ela deve se relacionar e fazer parte da experiência pessoal do observador.
Construtivo: “isto não é arte!”. Este público parte da negação, compara o que vê na arte contemporânea a seus valores pré-estabelecido de arte arte. O melhor modo de trabalhar este grupo é trazer a interpretação para o campo da experiência pessoal, e aos poucos desconstruir os antigos valores.
Classificativo: este grupo exige informações teóricas objetivas, ele lê a obra a partir de seus conhecimentos sobre arte, não se relaciona com o trabalho de forma lírica, sendo assim devemos evitar perguntas interpretativas e tentar ganhar sua confiança em uma conversa que caminhe em direção a experiência.
Interpretativo: estas pessoas sabem classificar uma obra e conseguem, espontaneamente, se relacionar subjetivamente com ela.
Recreativo: É capaz de ignorar conhecimentos técnicos e conceituais para construir uma relação para a vida.

Depois de nos passar este pequeno guia de sobrevivência, Mila apresentou mais um teórico, John Dewey, que traz a experiência para a educação, a experiência vivida se destaca da vida e se torna paradigma, servindo de referencia para tudo.

(Estou procurando entre os meus xérox um texto bem legar sobre a obra de arte como experiência).

Outro teórico que foi lembrado para a compreensão da importância da experiência foi Jorge Larrosa, que chama a atenção para o fato de que muitas coisas acontecem, mas pouca coisa nos acontece, a experiência deve acontecer em mim para que me transforme, não basta que ela aconteça ao meu redor.

Para concluir a incrivel palestra, Mila falou sobre o conceito de educação liquida e como ela se evidencia durante o processo de construção do conhecimento em uma ação educativa, onde nós, educadores fazermos a ponte na negociação de sentidos dentro de uma obra de arte. Ela nos alertou de que pensar a intenção do artista como a única forma de interpretação, é impossibilitar a aproximação entre público e obra.

Depois desta aula sobre educação fomos visitar a exposição com os trabalhos de Andy Warhol. Quem nos acompanhou foi o Jorge, e foi claramente perceptível a diferença que faz a aplicação dos conceitos aprendidos durante a palestra, o grupo participou muito mais nesta visita do que nas feitas anteriormente, durante o trajeto, o Jorge estimulava leituras e fazia observações sobre o que geralmente acontece em atendimentos escolares.

Em seguida descemos para uma sala onde tivemos contato com o material educativo usado durante as visitas. O material era mais voltado para o acervo permanente, mas algumas coisas como o s cartões de sugestão de leitura podia ser usado em qualquer exposição. Estes jogos de interpretação foram elaborados pelos próprios educadores de acordo com as necessidades sentidas durante as visitas, cada um carrega em uma bolsa o material que mais se adequa a suas intenções, e fazem as atividades no próprio espaço expositivo.

O monitor nos falou da sala tátil, onde os deficientes visuais podem tocar as obras e do material educativo em braile que está a disposição deste público especial.

Com certeza esta foi a experiência mais voltada pra educação que tivemos no curso até agora, vale a pena pesquisar o trabalho da Mila e dos teóricos citados por ela durante a palestra.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Caixa Cultural (Paula)

Ao chegarmos à Caixa Cultural, nos separamos do outro grupo de educadores em formação e seguimos para a visita guiada, enquanto eles seguiram por uma visita livre.

O educador (Manuel) começou colocando que a maior parte das visitas de grupos são de escolas de ensino fundamental e médio. A experiência de lidar com grupo de pessoas que posteriormente trabalharão como educadores foi nova para ele, fomos o primeiro grupo a visitar a Caixa Cultural.

Propôs primeiramente que entrássemos na exposição para dar uma olhada no aspecto geral dela, durante um curto espaço de tempo. Pediu para que tentássemos fazer isso em silêncio, sem conversar sobre ela entre os membros do grupo. Seguimos então para a exposição Preto e Branco, com fotografias de Marie Hippenmeyer.

A primeira impressão colocada foi que a exposição é para ser vista rapidamente e que havia a idéia de uma sequência permeando a organização; a sequência aparenta ser um registro de uma viagem.

O educador trouxe que a artista foi da agência fotojornalistica France-Presse, além de ter estudado na escola suíça de fotografia Vevey. Ela mora no Brasil atualmente e morou durante algum tempo em Lima. Nesses lugares a linguagem do seu trabalho mudou completamente, sua relação com os espaços por onde passou e viveu é evidente na exposição. A sensação de não pertencimento nem ao seu lugar de origem, nem aos outros lugares, talvez seja algo que ela queira transmitir.

Dai então o educador colocou o questionamento da Imagem como registro ou não de uma realidade; e sendo a fotografia sempre uma escolha, aonde está a construção daquilo que está presente na fotografia?

Este trabalho de Marie é comummente visto sob os conceitos da arte povera. Há uma busca por instrumentos não muito tecnológicos a favor da busca por uma essência, por uma identidade. Ela não só fotografa na Suíça, mas onde acha aspectos que tem relação com sua identidade, com ela na sua subjetividade.

As fotos da exposição foram tiradas com a maquina lomográfica Diana, uma máquina de plástico sem quase nenhuma regulagem, não se tendo muito controle sobre o resultado. O acaso é importante dentro dos conceitos que ela trabalha, há uma busca pelo inconsciente.

O educador coloca que para a artista outra questão importante é a questão do espaço expositivo. Houve um estudo de como seria a melhor forma de colocar esta exposição num espaço octogonal, poluído visualmente. A escolha pelo preto fosco trás a sensação de um espaço mais intimista, enfatizando também a idéia de uma sequência através do contraste.

Foi perguntado como se tratam essas idéias com um grupo de crianças. O educador responde que a conversa é outra, o trabalho com crianças fica mais focado em pensar no que aquelas imagens criam neles, pedindo para que cada um escolha a que mais lhe chama atenção, lhe toca. Tenta se traçar um paralelo com o que eles sentem. Um exercício proposto em geral é que eles criem uma narrativa a partir de uma imagem, chamando para uma abstração, um resgate, uma criação de sentido da imagem para elas.

É perguntado sobre o público do Centro em geral, ele responde que jovens de escolas públicas são maioria, seguido por ONGs e escolas particulares. Mas o passeio depende mais da postura do professor, que pode ver a visita tanto como uma imersão em um contexto diferente, quanto como uma simples obrigação.

Seguimos então para a visita livre, visitamos a exposição de José Caldas - Brasil e a transformação da Paisagem - e a exposição Os Anos JK - A Era do Novo - Olhares de Sérgio Jorge e Jean Manzon.

Particularmente, apesar de termos feito a visita livre junto com todo o grupo, acredito que o que me chamou atenção nas duas exposições foi diferente do que cada um pensou com relação a elas. Foi uma experiência muito particular, para cada um.

As sequências fotográficas de vários lugares, mas tratando os mesmos lugares em sequência por “perspectivas” diferentes, trazendo as vezes outras idéias, é o que permeava a exposição de José Caldas para mim. Com uma foto da orla de Copacabana, seguida de uma foto de uma macumba em Copacabana, por exemplo. Ou as diferentes fotos, tratando da transformação da paisagem na foz do São Francisco de 89 a 06.

No caso da exposição dos Anos JK, pensei muito na idéia de representações e temáticas do Cotidiano no momento “desenvolvimentista” da História do país, me remeteu muito ao filme São Paulo S.A. do diretor Luís Sérgio Person, que trabalha muito com representações cotidianas do Urbano nesta época.

Mas pessoalmente pensei em “casa” também, pois nasci em Brasília. Uma sequência de fotos que retratavam o dia da inauguração de Brasília me chamou atenção. Fotos que retratavam o espetáculo da inauguração da capital moderna foram contrastadas lado a lado - com fotos de grande porte - com pessoas descansando nos acampamentos improvisados no mesmo dia. É bem interessante para entender essa visão de grandiosidade e “modernidade” como uma construção.

Nos dirigimos ao espaço de oficinas, onde nos dividimos em quatro grupos para trabalhar um texto, um pedaço da introdução do livro O Fotográfico. Para o meu grupo foi sorteado o tema “fotografia”, os outros grupos discutiram o “olhar”, a “memória” e a “identidade”.

Discutimos que a fotografia possui um caráter indicial e ainda se vê a fotografia como documento, retratação do real, mas esta envolve também técnica, estilo e a subjetividade do fotografo.

Há uma bagagem imagética no nosso olhar, o texto tratava metaforicamente disso para mim. Esta bagagem é determinada tanto por uma memória coletiva quanto por uma memória individual, de forma muitas vezes inconsciente. Mas a memória individual influi na memória coletiva e a transforma e vice versa. O esfacelamento do espelho foi visto por nós como uma possível nova tomada de consciência.

A exposição do que foi discutido começou pelo grupo que pensou a questão da identidade. Colocaram que a busca da identidade nunca se fecha, pensando esta identidade como você em si mesmo, você no mundo e com os dilemas dele.

Retomaram a exposição de Marie, colocando o trabalho da artista como retratador de uma subjetividade da artista, mas a colocando como uma mulher do mundo ao mesmo tempo.

Foi pensado que como educadores devemos ter a capacidade de dialogar a partir dos elementos comuns, pensando em qualquer público. A questão da Política é seminal dentro desta Bienal, sendo a Política lugar da discussão e do diálogo.

Discutimos então o sentido que a idéia de memória poderia ter atualmente. As impressões subjetivas remetem a uma memória, mas a fotografia - e também a Arte como um todo - são produtoras também de novas memórias. A memória forma a identidade e a identidade a memória.

Foi chamada a atenção para a questão do artista estar envolvido no momento da produção de sua obra, sem ter muita consciência se algo o condiciona a pensar assim. A questão da individualidade é muito condicionada pelo momento histórico e pelo subjetivo ao mesmo tempo. O inconsciente também é retratado e a memória é um resgate e também uma reformulação.

Foi colocado que a questão do real é uma categoria discutida na fotografia desde primórdios da produção fotográfica moderna, no entanto, a visão leiga da “fotografia como documento” é muito difundida até hoje. O artístico - e até o literário, deve prever diferentes formas de percepção.

Passamos a discutir as visitas, sendo colocados que há pontos fortes e fracos dos dois tipos de visitas que tivemos. Chamou-se a atenção para o educador tendo que ter uma proposição quando vai lidar com grupos. Recortes são feitos, obviamente, mas tem de se pensar no lido com um todo.

Foi questionado qual é o lugar da espontaneidade numa visita. Todos possuem uma bagagem que estabelece relações com a obra e a partir disso se estabelece uma relação, sendo essa espontânea ou não.

Também foi colocado que é interessante estabelecer uma relação com o professor quando vai se lidar com grupos de crianças. Partir da relação prévia que as crianças tem com Arte e com exposições é importante para a criação de um vínculo.

Responderam então uma questão escrita por um dos estudantes no início da visita: O que a mediação numa exposição de Fotografia difere da das outras Artes visuais?

Os educadores colocaram que a Fotografia possui suas especificidades, assim como as outras técnicas artísticas. Tem de se ter a consciência também de que não se sabe tudo sobre fotografia só porque se trabalha com ela, são diferentes pontos de vista e diferentes formas de ver, incluindo o do educador. Isso é interessante de pensar, pois em Arte Contemporânea há quase uma técnica específica para cada trabalho.

Finalizando a oficina, respondemos a questão de como era nosso olhar antes e como ele é no momento. Não sei vocês, mas essa possibilidade de interação e discussão chamou muito a minha atenção para essa constante mudança através do subjetivo, o que com certeza modificou o meu “olhar”.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Museu Afro (Juliana Fernandes)

A visita ao Museu Afro começou por volta da 10h00. Todos os grupos foram reunidos no auditório do museu, onde a coordenadora do educativo deu uma introdução sobre o Museu Afro e sobre como seria nossa visita.

A visita foi dividida em duas partes: visita ao acervo acompanhado de um educador do próprio museu e uma palestra sobre arte africana.

Segundo a coordenadora do educativo, o Museu Afro é um museu brasileiro voltado para a cultura afro-brasileira.

É um museu relativamente novo, inaugurado em 2004. O museu conta com obras relacionadas à temática do negro, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos e documentos. O acervo possui mais de 3000 obras catalogadas, e dentre elas estão doações de Emanoel Araújo, atual curador do museu.

O acervo divide-se em núcleos: “África”; “Trabalho e escravidão”; “O Sagrado e o Profano”; “Religiosidade Afro-Brasileira”, “História e memória”, e “Arte”.

A visita pelo acervo foi guiada pelo orientador Marcelo e foi rápida se levarmos em conta o tamanho do acervo. Iniciamos no núcleo de arte com o artista baiano Rubem Valentim. As obras consistem em esculturas e gravuras. As esculturas são totens de madeira pintada, na maioria das vezes, com tinta acrílica. Pode-se observar uma simetria e o uso de elementos geométricos e cores fortes. Suas obras tem influências das religiões de base africana como o candomblé, fazendo constantemente referência aos símbolos presentes nesta religião.

Passamos também pelas obras de natureza-morta de Estevão Roberto Silva. Foi um artista negro que freqüentou a Academia Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro. Suas obras são na maioria naturezas-mortas, que se caracterizam pelo desenho de observação de seres inertes. Analisamos ainda quadros de outro artista negro que freqüentou a Academia Imperial de Belas Artes também, mas cujas obras tem um estilo mais impressionista, composto por imagens “borradas”, característica impressionista.

Outra obra que analisamos, foi uma que continha vários frascos de perfume vazios com foto de casais negros aparentemente dançando em que a mulher vestia sempre um vestido azul e seu rosto estava desfocado ou riscado.

Passamos pelo núcleo de escravidão e trabalho, onde lemos uma carta de alforria e vimos fotografias e documentos da época. A carta em questão era do escravo José, sem sobrenome, que tinha aproximadamente 60 anos quando foi libertado pelo patrão.

Último núcleo que visitamos foi o de religião, onde havia vestimentas e esculturas dos orixás. Uma escultura que discutimos foi uma que faz referência à umbanda.

A palestra no auditório tratou de estudos sobre a arte africana, em que a palestrante deu uma contextualizada sobre como começou o interesse pelo estudo dessa arte. A maior parte das obras, adquiridas desde os tempos de colonização, encontram-se em museus da Europa, dentre eles o Museu de Etnologia de Berlim. De certa maneira isso é ambíguo no sentido em que a Europa tem um acervo valioso que não lhe pertence, mas ao mesmo tempo isso permite que hoje a arte africana seja estudada e preservada.

A palestra abordou também sobre a arte das culturas Nok e Ife. As esculturas da arte Ife apresentam uma qualidade estética e técnica aprimorada; observa-se uma semelhança com o idealismo classicista grego nas proporções estéticas. As esculturas da arte Nok são na maioria representações humanas, em que os olhos são grandes e semi-cirulares com as pupilas perfuradas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

MASP (Lucas)

Antes de iniciarmos a visita ao MASP, nos reunimos para conversar sobre a visita ao Itaú Cultural, ocorrida no dia anterior. Conversamos sobre a preparação do local para a recepção do nosso grupo e sobre o conteúdo das visitas monitoradas.

A visita no MASP se iniciou com uma breve apresentação da monitora Roberta, que logo nos conduziu para a sala onde se realizava o “ateliê”.

No local, Roberta junto a outras duas monitoras, Patrícia e Gabriela, nos apresentaram a proposta do espaço iniciando a atividade com a pergunta: “de onde o artista tira suas idéias?”.

A Sala possuía uma série de materiais e ferramentas que poderiam ser usadas por cada um para dar origem a sua própria criação, trazendo a tona não apenas o exercício da capacidade criativa, mas também um maior contato com os mais diversos materiais.

Haveria também uma atividade teatral, mas devido ao atraso do grupo que iria apresentá-la, infelizmente não pode ocorrer.

Ao fim do ateliê, cada um expos sua obra em uma mesa branca do lado de fora da sala e houve um momento de conversa sobre a atividade e a dinâmica de monitoria que é utilizada para ela.

Em respostas as diversas perguntas direcionadas a elas, as monitoras explicaram que, embora a atividade proposta para nosso grupo tenha sido um ateliê livre (cada um fazia a obra que quisesse da maneira que quisesse), havia também algumas visitas onde um tema era fechado e/ou direcionado para um tipo bem especifico de obra ou material.

Cada visita ao ateliê possui um limite de 10 a 35 participantes e uma composição de 1 participante adulto para cada 10 participantes abaixo dos 16 anos de idade.

As monitoras explicaram também, que existe uma serie orientações para os acompanhantes (pais, professores, etc.) para que eles possam compreender a proposta educativa da atividade e possam lidar com ela da melhor forma possível.

Após isso, tivemos um intervalo de 5 minutos, seguido pela condução do nosso grupo ao primeiro andar do MASP, onde os orientadores Denis e Ana Claudia proporiam outras atividades.

O andar era preenchido por 6 ambientes coloridos onde eram dispostos pequenos quadros.

Já no inicio, Denis e Ana Claudia se apresentaram como orientadores em oposição ao termo “monitor”, de acordo com eles esse termo remete a “monitoramento”, “vigilância” e essa não era a impressão que eles gostariam de passar.

Em um primeiro momento, sentamos sobre o chão de um dos espaços (mais especificamente o azul) e conversamos sobre o acolhimento possível em uma visita monitorada, levando em conta as varias “estratégias” necessárias aos educadores, tais como uma ficha do perfil do grupo contemplado.

Para simular o que seria uma visita rotineira ao MASP, os orientadores propuzeram algumas atividades muito interessantes.

Iniciaram omitindo o nome do autor e a técnica por ele utilizada. Explicaram que buscam com isso obter um maior numero de questionamentos.

Logo após pediram para que andássemos pelo espaço por 10 minutos, observando a obra com cuidado e tentando não se prender a conceitos ou idéias pré-construidas. Ao fim dos 10 minutos, voltamos a nos sentar no espaço azul e conversamos sobre o que vimos. Nesse estágio nos foi dito que se tratava da obra de Max Ernst, um pintor dadaísta e que dividiu esse conjunto de obras feitas através de colagem em 7 cadernos que representavam em uma lógica surrealista os “7 Elementos Capitais” associados aos 7 dias da semana. As obras pareciam possuir uma “lógica” interna e os quadros de um mesmo caderno possuíam varias referencias e temáticas constantes. A exposição se dispunha em uma divisão desses cadernos em 7 ambientes de cores diferentes, estando apenas a “quinta”, a “sexta” e o “sábado” em um mesmo ambiente e, portanto, com a mesma cor.

Na segunda parte, recebemos pranchetas e fomos convidados a realizar uma dinâmica que consistia em escolher um quadro e em um primeiro momento escrever na prancheta o que estávamos vendo. Logo após isso, deveríamos escrever o que achávamos que o autor desejou narrar com aquele quadro. Por fim, deveríamos imaginar uma cena anterior e outra posterior a essa narrativa.

Essa atividade, em minha opinião, permitiu um contato maior e mais puro com a obra, nos fazendo pensar nela em outra estrutura de eventos.

Ao fim, fomos conduzidos até a entrada da exposição onde havia um quadro também do mesmo autor que consistia em uma mulher em meio a águas turbulentas e com uma concha na cabeça.

A luz da imagem, conversamos sobre as possíveis interpretações e abordagens do educador ao fazer o elo obra - publico, ressaltando o foco em criar questões e inquietações nos participantes.

No final da manhã, fomos apresentados a Paulo Portela (coordenador do educativo) e a Christina (responsável pela assessoria a professores).

O Coordenador nos explicou a dinâmica e a preparação do educativo presente no MASP e falou sobre a “vitória” em conseguir 10 educadores fixos para o museu.

Para fechar a visita, recebemos um certificado de presença e fomos convidados a permanecer no museu pelo tempo desejado.

Antes de irmos embora, tivemos uma conversa rápida sobre a visita, onde vários temas foram abordados, tais como: a relação educador – publico, o numero de educadores, a proposta do ateliê e a própria curadoria.

Terminava mais um dia do Grupo 8, no curso de formação para a Bienal 2010.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Itaú Cultural (Felix)

A visita começou com a apresentação de um vídeo/propaganda institucional do próprio Itaú Cultural, seguida de uma palestra ministrada por Paula Braga, que discorreu sobre a trajetória e a produção de Oiticica.

Oiticica se insere no contexto do surgimento do neo-concretismo, partindo de influências do concretismo, como Haroldo a Augusto de Campos e sua obra se estende pelo contexto da ditadura, do tropicalismo e da contracultura. Paula Braga começou por destacar que o início da arte geométrica abstrata no Brasil veio com um “atraso” de aproximadamente quatro décadas em relação à Europa, pois enquanto Kandinsky já havia alcançado grandes êxitos nesse sentido em 1910, essa expressão artística só vai adentrar o Brasil com força em 1951, na primeira Bienal.

Algumas das influências mais marcantes de Oiticica no começo de sua carreira são Malevich e Mondrian, e no contexto brasileiro Hélio tem um destaque no Rio semelhante ao que Gullar tem em São Paulo. A busca por uma arte menos racionalizada e cada vez mais viva é o propulsor das transformações na obra de Oiticica. Isso se traduz em uma tendência por cada vez mais superar questões como, por exemplo, o equilíbrio estético de um quadro, ao inserir elementos como a figura do participador e a dimensão do tempo na sua produção. Assim, o artista cria obras tridimensionais, que devem ser percorridas para serem vistas, incitando uma relação mais ativa do observador.

Logo, a obra de Oiticica não mais tem de ser apenas contornada, mas penetrada. O artista cria Penetráveis e Bólides que estabelecem uma relação diferente com o público do que a arte bidimensional. Hélio faz do mundo seu museu; busca a arte nas ruas e encontra o “Bólide Lata”, fica fascinado com a Mangueira e vê no samba a “origem primordial da arte”. Dessa busca constante de criação de novas formas, de uma nova ética, de uma arte cada vez mais viva, surgem os Parangolés, obras de arte que podem ser vestidas e vestindo-as pode-se dançar, sendo que a dança e o corpo de cada um criam uma obra absolutamente única, individual, cada vez que é usada.

As diferentes referências de Oiticica, desde os sambistas da Mangueira, até Nietzsche, aparecem na sua produção criando uma arte que valoriza a subjetividade, que busca suscitar questões e percepções individuais, e dessas várias individualidades cria uma totalidade. A experiência sensorial, seja ela tátil, olfativa, ou qualquer outra, busca a tomada do indivíduo pela obra, e a alteração de seu estado de consciência - de forma comparável aos efeitos de um entorpecente.

As transformações levadas a cabo e propostas por Oiticica “não cabiam” no espaço passivo do museu, e passa a buscar cada vez mais o jardim, o lugar público. Cada vez mais vê-se a transição do movimento no qual o corpo circula a obra, como em seus primeiros trabalhos tridimensionais, para o movimento no qual a obra de arte cobre o corpo. Daí a intensa utilização de tecidos na obra de Oiticica.

Com essas transformações, ainda segundo Paula Braga, Oiticica aplicava o que aprendera em Nietzsche e sua busca por uma nova Ética e por um novo “super-homem”. Em meio à ditadura, Oiticica propõe um novo comportamento, ao unir uma nova Ética a uma nova estética.

O contato do artista com a marginalidade, com a violência e com o ambiente das favelas é claro em sua obra. Segundo Paula Braga, quando Oiticica faz o apelo à marginalidade heroica, o que ele propõe não é o crime, mas sim o pensamento para além do centro do que está posto, um pensamento e um comportamento às margens. É a partir desse contato Hélio faz a crítica à sociedade, afirmando que a marginalidade expõe as falhas desta, e que por isso essa sociedade tenta apagar com brutalidade essas falhas.

Oiticica, já bastante influente no meio artístico, vê seus intentos não-concretizados com a apropriação da “Tropicália” e a leitura superficial que é feita desta por diversos outros artistas, o que o incita a buscar uma arte que não possa ser apropriada, uma arte supra-sensorial. É aí que surgem os bólides olfáticos, o parangolé poético e vários outros.

Exilado durante a ditadura, Oiticica produz e expõe em Londres e Nova York, desenvolvendo nesses lugares seus “ninhos” e diversos escritos em forma de hipertexto. Segundo Paula Braga, a impossibilidade de colocar-se a obra de Oiticica em um local no qual ela poderia realizar plenamente sua função, a saber, o espaço público (como por exemplo a impossibilidade de se instalar um labirinto na Praça da República devido à violência urbana) mostra que Oiticica produzia arte para um tempo futuro, para um mundo que ainda há de vir.

Quanto à monitoria, a educadora que liderou a visita guiada à exposição levantou diversas questões interessantes. Primeiramente, quanto à constituição do grupo de monitores, ela destacou a importância da multidisciplinaridade e das diferentes especialidades trocarem olhares e informações como ponto crucial para um bom trabalho. Foi ressaltada também a importância de não meramente relatar a vida do artista e algumas informações sobre as obras, mas sim propiciar uma experiência ao público.

Fizemos o percurso que essa monitora geralmente faz com grupos de adolescentes e conversamos sobre as diferenças entre os diferentes grupos de idade. Com crianças e até certo ponto com adolescentes, pode-se trabalhar com a experiência e a reflexão da mesma pode ser feita a partir de perguntas elementares; as crianças interagem de forma mais descontraída, por exemplo com os labirintos, e há mais facilidade em estabelecer um diálogo a partir de questões como “qual é a semelhança entre isso e isto?” ou “como foi a sensação de estar ali dentro, ou percorrer tal espaço?”. A tendência é que com grupos de adultos as visitas fiquem mais restritas a conversas, lembrando sempre que o fator tempo é bastante importante para “amaciar” os grupos e incitar uma maior interatividade.

Importante ressaltar que o espaço estava fechado sendo que os participantes da Bienal eram os únicos presentes, e que normalmente há muito mais barulho e pessoas do que havia na ocasião. Não poucas vezes um monitor prepara um roteiro e tem que reelaborá-lo de última hora, pois ao chegar a uma obra chave há um outro grupo monitorado lá.

Ainda na questão das diferentes idades, os adultos tendem a ter muito medo de errar, e por isso é importante trabalhar a noção de que não há uma única resposta correta para as questões levantadas.

Um ponto muito interessante é que muitos dos alunos que visitam o museu, o fazem pela primeira vez na vida, e por isso é necessário trabalhar alguns pontos básicos. Ao se perguntar o que há em um museu, geralmente se ouve a resposta “quadros”, ou “dinossauros” ou “coisas de história”. Esse pode ser um eixo que guie a visita, a saber, o questionamento do que pode haver em um museu, que frequentemente vira a questão do que é arte, e por que obras como a de Oiticica podem ser vistas num espaço como o Itaú Cultural. Com os penetráveis, é também a primeira oportunidade de tocar uma obra ou “entrar numa cor”.

A educadora que guiava o grupo ressaltou que a relação de detentor de poder é inevitável, o que dobra a responsabilidade do educador em buscar não enviesar as respostas do público simplesmente para conseguir fazer a ligação com a próxima obra de seu roteiro de forma fluida.

Quanto à questão de valorizar-se a trajetória do artista e a relação entre as obras, ou focar-se nas obras individualmente, a educadora colocou que cabe ao monitor criar um fio condutor para o roteiro de exposição. No caso das obras de Oiticica esse fio condutor são Forma e Cor.

Ela também deu algumas orientações quanto à grupos escolares, principalmente quanto a tornar o professor um aliado. É importante conversar com o professor ou professora para saber o que a turma tem trabalhado e se há algo em específico que eles desejam visitar. É também importante que o professor não use a monitoria como uma folga para não prestar atenção nos alunos e que este ajude a manter a disciplina dos jovens ou crianças.

Ao longo da exposição havia diversos textos explicativos que tratavam da experiência pretendida pelas obras, frequentemente descrevendo a reação esperada do público ao entrar em contato com a mesma e falando também do processo que levou a criação de tais obras.

Infelizmente não pudemos fazer uma discussão imediatamente após a visita, mas esta foi remarcada para o dia seguinte.