domingo, 23 de maio de 2010
Instituto Tomie Ohtake (Camila)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Paço das Artes / Mac (Nina)
terça-feira, 18 de maio de 2010
Andy Warhol II (André)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Encontro teórico 3 (Jean)
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Lasar Segall (Lívia)
quarta-feira, 12 de maio de 2010
MAM (Marianne)
terça-feira, 11 de maio de 2010
Museu da Casa Brasileira (Juliana Silva)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Roteiro de observação
Encontro teórico (Leandro)
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Pinacoteca (Luara)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Caixa Cultural (Paula)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Museu Afro (Juliana Fernandes)
terça-feira, 4 de maio de 2010
MASP (Lucas)
Antes de iniciarmos a visita ao MASP, nos reunimos para conversar sobre a visita ao Itaú Cultural, ocorrida no dia anterior. Conversamos sobre a preparação do local para a recepção do nosso grupo e sobre o conteúdo das visitas monitoradas.
A visita no MASP se iniciou com uma breve apresentação da monitora Roberta, que logo nos conduziu para a sala onde se realizava o “ateliê”.
No local, Roberta junto a outras duas monitoras, Patrícia e Gabriela, nos apresentaram a proposta do espaço iniciando a atividade com a pergunta: “de onde o artista tira suas idéias?”.
A Sala possuía uma série de materiais e ferramentas que poderiam ser usadas por cada um para dar origem a sua própria criação, trazendo a tona não apenas o exercício da capacidade criativa, mas também um maior contato com os mais diversos materiais.
Haveria também uma atividade teatral, mas devido ao atraso do grupo que iria apresentá-la, infelizmente não pode ocorrer.
Ao fim do ateliê, cada um expos sua obra em uma mesa branca do lado de fora da sala e houve um momento de conversa sobre a atividade e a dinâmica de monitoria que é utilizada para ela.
Em respostas as diversas perguntas direcionadas a elas, as monitoras explicaram que, embora a atividade proposta para nosso grupo tenha sido um ateliê livre (cada um fazia a obra que quisesse da maneira que quisesse), havia também algumas visitas onde um tema era fechado e/ou direcionado para um tipo bem especifico de obra ou material.
Cada visita ao ateliê possui um limite de 10 a 35 participantes e uma composição de 1 participante adulto para cada 10 participantes abaixo dos 16 anos de idade.
As monitoras explicaram também, que existe uma serie orientações para os acompanhantes (pais, professores, etc.) para que eles possam compreender a proposta educativa da atividade e possam lidar com ela da melhor forma possível.
Após isso, tivemos um intervalo de 5 minutos, seguido pela condução do nosso grupo ao primeiro andar do MASP, onde os orientadores Denis e Ana Claudia proporiam outras atividades.
O andar era preenchido por 6 ambientes coloridos onde eram dispostos pequenos quadros.
Já no inicio, Denis e Ana Claudia se apresentaram como orientadores em oposição ao termo “monitor”, de acordo com eles esse termo remete a “monitoramento”, “vigilância” e essa não era a impressão que eles gostariam de passar.
Em um primeiro momento, sentamos sobre o chão de um dos espaços (mais especificamente o azul) e conversamos sobre o acolhimento possível em uma visita monitorada, levando em conta as varias “estratégias” necessárias aos educadores, tais como uma ficha do perfil do grupo contemplado.
Para simular o que seria uma visita rotineira ao MASP, os orientadores propuzeram algumas atividades muito interessantes.
Iniciaram omitindo o nome do autor e a técnica por ele utilizada. Explicaram que buscam com isso obter um maior numero de questionamentos.
Logo após pediram para que andássemos pelo espaço por 10 minutos, observando a obra com cuidado e tentando não se prender a conceitos ou idéias pré-construidas. Ao fim dos 10 minutos, voltamos a nos sentar no espaço azul e conversamos sobre o que vimos. Nesse estágio nos foi dito que se tratava da obra de Max Ernst, um pintor dadaísta e que dividiu esse conjunto de obras feitas através de colagem em 7 cadernos que representavam em uma lógica surrealista os “7 Elementos Capitais” associados aos 7 dias da semana. As obras pareciam possuir uma “lógica” interna e os quadros de um mesmo caderno possuíam varias referencias e temáticas constantes. A exposição se dispunha em uma divisão desses cadernos em 7 ambientes de cores diferentes, estando apenas a “quinta”, a “sexta” e o “sábado” em um mesmo ambiente e, portanto, com a mesma cor.
Na segunda parte, recebemos pranchetas e fomos convidados a realizar uma dinâmica que consistia em escolher um quadro e em um primeiro momento escrever na prancheta o que estávamos vendo. Logo após isso, deveríamos escrever o que achávamos que o autor desejou narrar com aquele quadro. Por fim, deveríamos imaginar uma cena anterior e outra posterior a essa narrativa.
Essa atividade, em minha opinião, permitiu um contato maior e mais puro com a obra, nos fazendo pensar nela em outra estrutura de eventos.
Ao fim, fomos conduzidos até a entrada da exposição onde havia um quadro também do mesmo autor que consistia em uma mulher em meio a águas turbulentas e com uma concha na cabeça.
A luz da imagem, conversamos sobre as possíveis interpretações e abordagens do educador ao fazer o elo obra - publico, ressaltando o foco em criar questões e inquietações nos participantes.
No final da manhã, fomos apresentados a Paulo Portela (coordenador do educativo) e a Christina (responsável pela assessoria a professores).
O Coordenador nos explicou a dinâmica e a preparação do educativo presente no MASP e falou sobre a “vitória” em conseguir 10 educadores fixos para o museu.
Para fechar a visita, recebemos um certificado de presença e fomos convidados a permanecer no museu pelo tempo desejado.
Antes de irmos embora, tivemos uma conversa rápida sobre a visita, onde vários temas foram abordados, tais como: a relação educador – publico, o numero de educadores, a proposta do ateliê e a própria curadoria.
Terminava mais um dia do Grupo 8, no curso de formação para a Bienal 2010.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Itaú Cultural (Felix)
A visita começou com a apresentação de um vídeo/propaganda institucional do próprio Itaú Cultural, seguida de uma palestra ministrada por Paula Braga, que discorreu sobre a trajetória e a produção de Oiticica.
Oiticica se insere no contexto do surgimento do neo-concretismo, partindo de influências do concretismo, como Haroldo a Augusto de Campos e sua obra se estende pelo contexto da ditadura, do tropicalismo e da contracultura. Paula Braga começou por destacar que o início da arte geométrica abstrata no Brasil veio com um “atraso” de aproximadamente quatro décadas em relação à Europa, pois enquanto Kandinsky já havia alcançado grandes êxitos nesse sentido em 1910, essa expressão artística só vai adentrar o Brasil com força em 1951, na primeira Bienal.
Algumas das influências mais marcantes de Oiticica no começo de sua carreira são Malevich e Mondrian, e no contexto brasileiro Hélio tem um destaque no Rio semelhante ao que Gullar tem em São Paulo. A busca por uma arte menos racionalizada e cada vez mais viva é o propulsor das transformações na obra de Oiticica. Isso se traduz em uma tendência por cada vez mais superar questões como, por exemplo, o equilíbrio estético de um quadro, ao inserir elementos como a figura do participador e a dimensão do tempo na sua produção. Assim, o artista cria obras tridimensionais, que devem ser percorridas para serem vistas, incitando uma relação mais ativa do observador.
Logo, a obra de Oiticica não mais tem de ser apenas contornada, mas penetrada. O artista cria Penetráveis e Bólides que estabelecem uma relação diferente com o público do que a arte bidimensional. Hélio faz do mundo seu museu; busca a arte nas ruas e encontra o “Bólide Lata”, fica fascinado com a Mangueira e vê no samba a “origem primordial da arte”. Dessa busca constante de criação de novas formas, de uma nova ética, de uma arte cada vez mais viva, surgem os Parangolés, obras de arte que podem ser vestidas e vestindo-as pode-se dançar, sendo que a dança e o corpo de cada um criam uma obra absolutamente única, individual, cada vez que é usada.
As diferentes referências de Oiticica, desde os sambistas da Mangueira, até Nietzsche, aparecem na sua produção criando uma arte que valoriza a subjetividade, que busca suscitar questões e percepções individuais, e dessas várias individualidades cria uma totalidade. A experiência sensorial, seja ela tátil, olfativa, ou qualquer outra, busca a tomada do indivíduo pela obra, e a alteração de seu estado de consciência - de forma comparável aos efeitos de um entorpecente.
As transformações levadas a cabo e propostas por Oiticica “não cabiam” no espaço passivo do museu, e passa a buscar cada vez mais o jardim, o lugar público. Cada vez mais vê-se a transição do movimento no qual o corpo circula a obra, como em seus primeiros trabalhos tridimensionais, para o movimento no qual a obra de arte cobre o corpo. Daí a intensa utilização de tecidos na obra de Oiticica.
Com essas transformações, ainda segundo Paula Braga, Oiticica aplicava o que aprendera em Nietzsche e sua busca por uma nova Ética e por um novo “super-homem”. Em meio à ditadura, Oiticica propõe um novo comportamento, ao unir uma nova Ética a uma nova estética.
O contato do artista com a marginalidade, com a violência e com o ambiente das favelas é claro em sua obra. Segundo Paula Braga, quando Oiticica faz o apelo à marginalidade heroica, o que ele propõe não é o crime, mas sim o pensamento para além do centro do que está posto, um pensamento e um comportamento às margens. É a partir desse contato Hélio faz a crítica à sociedade, afirmando que a marginalidade expõe as falhas desta, e que por isso essa sociedade tenta apagar com brutalidade essas falhas.
Oiticica, já bastante influente no meio artístico, vê seus intentos não-concretizados com a apropriação da “Tropicália” e a leitura superficial que é feita desta por diversos outros artistas, o que o incita a buscar uma arte que não possa ser apropriada, uma arte supra-sensorial. É aí que surgem os bólides olfáticos, o parangolé poético e vários outros.
Exilado durante a ditadura, Oiticica produz e expõe em Londres e Nova York, desenvolvendo nesses lugares seus “ninhos” e diversos escritos em forma de hipertexto. Segundo Paula Braga, a impossibilidade de colocar-se a obra de Oiticica em um local no qual ela poderia realizar plenamente sua função, a saber, o espaço público (como por exemplo a impossibilidade de se instalar um labirinto na Praça da República devido à violência urbana) mostra que Oiticica produzia arte para um tempo futuro, para um mundo que ainda há de vir.
Quanto à monitoria, a educadora que liderou a visita guiada à exposição levantou diversas questões interessantes. Primeiramente, quanto à constituição do grupo de monitores, ela destacou a importância da multidisciplinaridade e das diferentes especialidades trocarem olhares e informações como ponto crucial para um bom trabalho. Foi ressaltada também a importância de não meramente relatar a vida do artista e algumas informações sobre as obras, mas sim propiciar uma experiência ao público.
Fizemos o percurso que essa monitora geralmente faz com grupos de adolescentes e conversamos sobre as diferenças entre os diferentes grupos de idade. Com crianças e até certo ponto com adolescentes, pode-se trabalhar com a experiência e a reflexão da mesma pode ser feita a partir de perguntas elementares; as crianças interagem de forma mais descontraída, por exemplo com os labirintos, e há mais facilidade em estabelecer um diálogo a partir de questões como “qual é a semelhança entre isso e isto?” ou “como foi a sensação de estar ali dentro, ou percorrer tal espaço?”. A tendência é que com grupos de adultos as visitas fiquem mais restritas a conversas, lembrando sempre que o fator tempo é bastante importante para “amaciar” os grupos e incitar uma maior interatividade.
Importante ressaltar que o espaço estava fechado sendo que os participantes da Bienal eram os únicos presentes, e que normalmente há muito mais barulho e pessoas do que havia na ocasião. Não poucas vezes um monitor prepara um roteiro e tem que reelaborá-lo de última hora, pois ao chegar a uma obra chave há um outro grupo monitorado lá.
Ainda na questão das diferentes idades, os adultos tendem a ter muito medo de errar, e por isso é importante trabalhar a noção de que não há uma única resposta correta para as questões levantadas.
Um ponto muito interessante é que muitos dos alunos que visitam o museu, o fazem pela primeira vez na vida, e por isso é necessário trabalhar alguns pontos básicos. Ao se perguntar o que há em um museu, geralmente se ouve a resposta “quadros”, ou “dinossauros” ou “coisas de história”. Esse pode ser um eixo que guie a visita, a saber, o questionamento do que pode haver em um museu, que frequentemente vira a questão do que é arte, e por que obras como a de Oiticica podem ser vistas num espaço como o Itaú Cultural. Com os penetráveis, é também a primeira oportunidade de tocar uma obra ou “entrar numa cor”.
A educadora que guiava o grupo ressaltou que a relação de detentor de poder é inevitável, o que dobra a responsabilidade do educador em buscar não enviesar as respostas do público simplesmente para conseguir fazer a ligação com a próxima obra de seu roteiro de forma fluida.
Quanto à questão de valorizar-se a trajetória do artista e a relação entre as obras, ou focar-se nas obras individualmente, a educadora colocou que cabe ao monitor criar um fio condutor para o roteiro de exposição. No caso das obras de Oiticica esse fio condutor são Forma e Cor.
Ela também deu algumas orientações quanto à grupos escolares, principalmente quanto a tornar o professor um aliado. É importante conversar com o professor ou professora para saber o que a turma tem trabalhado e se há algo em específico que eles desejam visitar. É também importante que o professor não use a monitoria como uma folga para não prestar atenção nos alunos e que este ajude a manter a disciplina dos jovens ou crianças.
Ao longo da exposição havia diversos textos explicativos que tratavam da experiência pretendida pelas obras, frequentemente descrevendo a reação esperada do público ao entrar em contato com a mesma e falando também do processo que levou a criação de tais obras.
Infelizmente não pudemos fazer uma discussão imediatamente após a visita, mas esta foi remarcada para o dia seguinte.