No dia 11 de maio o grupo 8 visitou o Museu da Casa Brasileira. Localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o local é de fácil acesso tanto por transporte público quanto de carro. Uma grande casa amarela que data da década de 1940 abriga desde 1972 o museu e, no andar superior, uma instituição particular da família Prado, a quem pertencia a casa anteriormente.
Logo quando chegamos, fomos levados para um jardim na parte de trás da casa e recebemos dos educadores Ingrid e Daniel, as primeiras instruções e informações sobre o lugar e como se daria a visita. O acolhimento foi feito junto com o outro grupo da Bienal e os dois educadores do MCB dividiram a apresentação.
Os monitores começaram falando sobre o que poderíamos esperar daquela instituição e que tipos de objetos se encontram por lá, como móveis e outras peças que preservam a memória da vida privada. Além disto, segundo eles, o museu discute também temas pertinentes a arquitetura e design.
Nosso grupo realizou primeiro a visita no térreo e depois conheceu a fundação, fomos acompanhados pelo educador Daniel, que nos explicou que o esquema da visita seria o mesmo que geralmente é feito com várias turmas, com o diferencial que também teríamos uma meta-visita na qual seriam evidenciados temas pertinentes à prática da monitoria em museus e possíveis abordagens com diferentes grupos.
Foi possível notar a existência de um fio condutor na visita, o educador nos conduziu pelas peças do museu, distribuídas conforme a utilidade, e elegeu as que julgou mais interessantes para algumas discussões. A escolha do percurso não foi necessariamente fixa e quando o grupo demonstrou interesse por um objeto que não seria observado, o trajeto foi brevemente alterado e a peça de interesse do grupo pôde ser discutida.
Ao longo do percurso foram levantadas varias discussões, vale destacar que estas se originaram a partir das perguntas e proposições que nos eram feitas pelo educador, o que também nos possibilitou questionamentos quanto à criação de viés para respostas e para a discussão. Por outro lado, também foi conversado sobre a necessidade de se criar um discurso vinculado ao grupo e que a discussão deve ser baseada nas respostas que são dadas. (O monitor ficou surpreso com a resposta do Felix quando apresentava o banquinho indígena e teve que trabalhar com a possibilidade que lhe foi apresentada).
As discussões ao longo da visita passaram rapidamente pelas idéias de público e privado -armário e guarda-roupas-, construção de uma identidade nacional, idealização do índio, etc -rede -, a importância do meio do processo e do educador como mediador – batedeira - e, na fundação, a discussão girou em torno da construção de uma memória e de um discurso.
Segundo o educador, o público que visita o museu é muito variado e costumam haver temporadas de grupos que freqüentam mais em determinadas épocas. Algumas vezes o museu é mais freqüentado por ONGs e outras instituições similares, em outros períodos por escolas e em outros por grupos com necessidades especiais.
O MCB atualmente possui uma parecia com as escolas estaduais e tem recebido, na maioria das vezes, crianças de terceira e quarta série e adolescentes de sétima e oitava. Com as crianças juntamente com o programa das escolas geralmente o tema trabalhado são os “objetos que possuem história” já com os adolescentes de sétima e oitava série as discussões costumam passar por temas como “memória e a construção desta”.
Após a visita, houve uma reunião com os dois grupos e nos foi proposta uma dinâmica. Pediram para que estes grupos se subdividissem em seis menores e, cada um elaborasse uma visita monitorada voltada para um tipo especifico de público. Os tipos de público propostos para que pensássemos as visitas foram: universitários não participativos e que buscavam conhecimento especializado; jovens detidos e em processo de reinserção social; grupos com algum tipo de deficiência mental; ONGs de comunidades carentes que trabalham com reciclagem; adolescentes de sétima e oitava série, e crianças de terceira e quarta série que vão pela primeira vez a um museu.
Novamente foi trazida a questão de se construir a visita juntamente com o grupo que está presente no momento. Os tipos de acolhimento e monitoria propostos foram diferentes para cada grupo, em sua maioria visaram aproximar o visitante do museu tentando fazer com que a sua vivência fosse importante para a discussão e que a visita ao museu seja, de fato, uma experiência.
Para os grupos com necessidades especiais foram propostas monitoria e acolhimento que aproximassem o visitante de sua afetividade proporcionando uma experiência mais intensa e agradável. Já para os grupos de reinserção social a proposta passou por aproximar da vivência trazendo conceitos de público e privado e outras noções que estão presentes no dia a dia, mas que não exigissem que falassem muito de suas experiências logo no começo.
Para as crianças foram pensados acolhimentos que passassem uma imagem agradável de um museu e ligassem o que elas veriam na visita com o que vêem fora dela, e pudessem fazer conexões com suas vidas através daquela experiência. O grupo que pensou na visita com comunidades carentes que trabalham com reciclagem e artesanato propôs ligar a visita e a parte da técnica e do fazer artístico para então relacionar com outras questões mais amplas.
Para os universitários de design foi pensada uma visita mais focada nas peças e na arquitetura do local com especificações técnicas e perguntas que pudessem desafiar os estudantes a serem mais participativos. E por fim, para os alunos de sétima e oitava série foi proposta uma monitoria que fizessem perguntas sobre a vivência dos adolescentes e a partir disto ligasse com questões e temas presentes no museu.
O encerramento aconteceu com a apresentação de cada um dos grupos sobre as diferentes formas de monitoria e uma conversa rápida com os educadores sobre cada uma das propostas apresentadas.
Sem dúvida, a visita ao MCB e, em especial, a última parte, que nos permitiu pensar na prática como realizaríamos diferentes tipos de monitoria, foi de grande importância para nossa formação. O nosso simpático grupo 8 dá mais um passo na sua formação de educadores, para um público tão diverso como o da Bienal.
O facil acesso não me convidou pra esse ai!
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